quarta-feira, 5 de agosto de 2020

"GOOD GIRLS": UMA COMÉDIA QUE NÃO É O QUE PARECE | VICIADA EM SÉRIES

imagem: google


Sinopse: Beth Boland (Christina Hendriks), Annie Marks (Mae Whitman) e Ruby Hill (Retta) são três mães de família tentando lidar com problemas financeiros e maternais. Cansadas de estarem sempre perdendo, elas decidem planejar um assalto a um supermercado, mas o sucesso do plano faz com que fiquem no meio de uma operação ainda maior e mais perigosa.


Elenco: Christina Hendriks, Mae Whitman, Retta, Manny Montana, Matthew Lillard, Reno Wilson, James Lasure e outros. 


imagem: google

A sinopse da série "Good Girls" nos faz acreditar que a série é uma comédia leve, apesar de envolver criminalidade na trama. Entretanto, o enredo nos supreende e se mostra mais sério do que você pode imaginar inicialmente. 
"Good Girls" é uma séria criada por Jenna Bans, conta a história de três amigas que estavam passando por dificuldades financeiras e não sabiam de onde tirar dinheiro. Então, resolvem assaltar um estabelecimento. 
As três personagens principais são Beth Boland (Christina Hendriks), mãe de 4 filhos que recentemente havia descoberto a traição do marido;  Annie Marks (Mae Whitman), irmã mais nova de Beth, mãe solteira de uma garota e funcionária de um supermercado; e por fim, Rubby Hill (Retta), melhor amiga de Beth, e precisa do dinheiro para tratar a doença rara da filha. 
Algumas decisões da vida se tornam uma bola de neve, e é isso que Good Girls quer mostrar. O que seria um "simples|" assalto para pagar algumas contas, se tornou uma gangue que sempre está em busca de mais dinheiro. A série também apela bastante para o fator emocional, mostrando claramente os motivos que fazem elas continuarem na vida do crime.

 No caso de Beth, seu marido começou a se dar mal no trabalho e perder bastante dinheiro, e como ela sempre foi dona de casa, precisa começar do zero para encarar um divórcio e a criação de quatro filhos.Para Ruby, a motivação é a doença de sua filha. Enquanto aguarda na lista de transplante, ela precisa tomar remédios caríssimos para ter uma vida tranquila. E até mesmo quando um doador aparecer, a quantia a se pagar por um novo órgão é bastante alta. Já no caso de Annie, o dinheiro é necessário para pagar um advogado que defende a permanência de sua filha com ela, já que o pai entrou na justiça para obter a guarda, afirmando que ela não tem condições de dar uma vida digna para a filha.

A série está disponivel no streaming Netflix, e que recentemente disponibilizou a terceira temporada da trama com episódios com pouco mais de 40 minutos. 


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Rita: Uma professora fora de série | Viciada em séries

Sinopse: Todos os alunos sonham em ter como professora a simpática Rita Madsen (Mille Dinesen), uma mulher de personalidade forte e com talento especial para sua profissão. No entanto, fora da sala de aula a vida dessa professora é um completo desastre.

Elenco: Mille Dinesen, Carsten Bjornlund, Ellen Hillingso, Lise Baastrup, Nikolaj Groth, Morten Vang Simonsen, Sara Hjort Ditevsen, Charlotte Munck e outros.

Criada e dirigida por Christian Torpe, “Rita” é uma série dinamarquesa que mostra a vida, o cotidiano, os desafios e problemas de uma professora nada comum. Na escola, ela é adorada pela maioria dos alunos que sonham em ter aula com ela. Já fora dela, Rita lida com o desastre que sua vida pessoal se encontra. Como é produzida pela Neftlix, você pode assistir a série pela mesma, mas a nova temporada ainda está no ar na TV dinamarquesa, entrará no serviço de streaming após ser finalizada.


Para ser sincera, comecei a série com poucas expectativas, querendo apenas passar o tempo que tinha livre, porém me surpreendi com o roteiro, a fotografia e a trilha sonora. Falando em música, a trilha sonora em grande parte é composta por músicas indies e na mais recente pudemos ouvir alguns artistas dinamarqueses. Caso tenha se interessado, essa playlist reúne as mais legais. Como estudante de licenciatura, me identifiquei muito com a personagem, pois foge do estereótipo de professor tecnicista e restrito, Rita consegue ser popular entre os alunos justamente por sua abordagem fugir dessa coisa quadrada, ser mais realista e honesta. É sobre enxergar o aluno como uma pessoa real com problemas reais, não mais um número para atingir a média.


Em contrapartida, a série também aborda a vida desastrosa da personagem que é uma divorciada que tem problemas de comunicação com os filhos. A trama traz muito desse contraste sobre sua popularidade entre os jovens na escola com sua dificuldade de construir intimidade com seus próprios filhos. E aborda outros problemas da vida de mãe solo, como a sobrecarga de criar os filhos enquanto o pai não exerce muito seu papel. Como ela está mais presente e é a única responsável pela criação deles, acaba sempre sendo a figura de "mãe rígida" enquanto o pai é o parente legal por ter menos contato com seus filhos.

Imagem: Minha Visão do Cinema.

Uma série que vale a pena, principalmente se você faz ou quer fazer algum curso na área de educação. Boa também para pessoas que não são da área terem uma breve ideia do que os profissionais passam, da bagagem emocional que muitos tem que abandonar na porta da escola para conseguir se sair bem. Além de acarretar várias musicas legais para as playlists. 

Assista o trailer oficial:

domingo, 26 de julho de 2020

Meus quereres são iguais ao café que tomo pela manhã | Escritos

Imagem: Pinterest
Acordei com a cabeça doendo e o coração pesado. 
Seis da manhã e eu já estava com vontade de ir embora. 
Não sei que mania é essa que me segue, que anda comigo e não me solta. Nunca sei meu motivo de querer partir. Na verdade, acho que sei, só não entendo. Meu corpo se contrai e minha vontade se perde no meio de tanto querer. Não sei que querer é esse que nunca quer, que sempre volta duas casas e prefere ficar longe. Não sei que querer é esse cheio de medo, de insegurança.
Não entendo esse querer que me traz à tona memórias uma vez já esquecidas? Me fazendo comparar dando-me mais um motivo para correr. 
Eu não sei.
Gostaria que meus quereres fossem fáceis como Caetano faz parecer que são os quereres quando canta, mas bem sei e aceito.
Eles não são.
Meus quereres são confusos e cheios de intensidade. 
Tão fortes como o café que faço pela manhã. Quando há vontade de correr o querer me faz ficar? Quando me queres, eu quero fugir. Quando te quero, nos queremos. Eu não quero saber desses quereres que pesam o coração e me doem a cabeça. Não quero correr, quero ficar. Mas não consigo me livrar de meus quereres, eles são muitos e eu tão verde que sou não sei administrar.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

FLAIRA FERRO: A FÚRIA DA MPB | Playlist

imagem: Google/ Matheus Mello

Nascida em Recife na época do carnaval, Flaira ingressou na vida artística aos seis anos de idade através da dança. Formada em Comunicação Social, Flaira é cantora, compositora e dançarina. Escancaradamente apaixonada pelo seu estado, Flaira diz isso não só em entrevistas, mas também em suas canções, exaltando ritmos, estado, como o frevo e o maracatu. As canções de Flaira falam também sobre o sagrado feminino e liberdade, e a materialização disso é a canção “coisa mais bonita”, que no clipe mostra mulheres se masturbando, e que depois de lançado sofreu grandes represálias e foi retirado do Youtube. O vídeo retornou, com restrição de idade, graças a fãs e pessoas sensíveis à causa. Essa música nos mostra a importância de ser mulher, de refletir sobre a importância de se apropriar do prazer feminino.


A primeira vez que escutei Flaira fazem uns dois anos, a canção era "Me curar de mim" do álbum "Cordões umbilicais", e acredite é minha favorita até hoje. Essa canção é uma espécie de oração, e a partir do repensar seu interior, Flaira nos faz pensar no nosso. 

Interior. Sombra. Cura. Mantra.

Flaira chama atenção pelas composições, pelo sotaque lindíssimo,  por ter uma força interior que é emanada nas suas canções. Definitivamente uma fúria.

domingo, 19 de julho de 2020

Estrangeira de si mesma | Escritos

Imagem: Google
Leia ouvindo: Billy Joel - Vienna

Quando parti para morar em outro estado pensei que tinha me livrado de antigos sentimentos, pequenas memórias afetivas tão dolorosas quanto escrever esse texto e reviver todas elas. Lembrar o que um sono desregulado embalado de ansiedade pode me causar. É muito doido, porque se isso fosse há três anos, nunca escreveria esse texto em algum lugar público e se escrevesse em menos de uma semana tiraria do ar. Ter que lidar com os pequenos fantasmas do meu passado e ser estrangeira de (si) mesma, se tornou recorrente para a mulher que tem feito sua vida caber numa mala.

Tinha esquecido qual era a sensação de ter uma crise seguida da outra e de ficar entorpecida pelo sentimento de que não conheço os meus próprios sentimentos, que minhas palavras podem ser a própria armadilha para o que sinto. Nem sempre a literatura ou a escrita ali a espreita no meu diário azul possa me segurar nesse plano.

Algumas coisas por mais dolorosas do que possam ser ditas, cresceram comigo e estão aqui, se curando depois de muito anos pela leitura de um livro chamado As coisas que você só vê quando desacelera.
"Quando estiver pronto, reúna coragem e tome uma decisão. Embora seu coração não vá dar ouvidos a sua mente, decida perdoar e se livrar das amarras emocionais." pag.104, edição pocket. 
Ainda está bem dolorido as feridas que causei a mim mesma e uma hora ou outras elas voltam à tona, sem que eu sequer lembre que elas existiram. Acredito que encontrar aqueles diários antigos, textos mal-acabados em folhas de rascunho de cursinho e apostilas que se quer toquei, mas escrevi em cima de todas elas o que uma garotinha assustada de dezessete anos sentia, mudaram muita coisa por aqui. A minha versão de vinte e dois anos recém completos, já passou por outras situações mais pesadas, complexas e que nem longe a quebraram tanto quanto estranhamento daquele elo de jovem escritora (continuo jovem, mas sinto uma velha escrevendo isso, um dos meus velhos complexos) que odiava ter que assistir aquelas aulas de matemática, ter aulas de domingo à (domingo) sem um dia de paz para escrever e não ser mais estrangeira de si mesma.

O que me lembra o longa e o diretor que entrevistei para uma cadeira da Universidade, aquele filme veio num momento crucial. Numa cidade diferente com gente que honestamente me ensinou a como não tratar as pessoas e como não deixar que invadam seu espaço. Essa ferida cicatrizou, mas a lição ficou e que bom sabe. Estrangeiro, longa de Edson Lemos, me mostrou a lição que minha antiga psicóloga dizia sobre eu me comportar como uma mulher de 30 anos e não uma jovem de 19 anos, ainda existia. Toda vez que pontuo essa questão o mundo parece outro lugar ainda mais vulnerável, fui forçada a amadurecer tão cedo que quando me pego pensando em todas as crises pessoais, existenciais, ansiosas e pessoas se aproveitando da minha boa vontade, sentimentos de solidariedade e depois jogando eles contra mim de novo porque decidi  algo que não as agradasse.

É uma grande lição de si mesma, entender suas próprias contradições, seu passado e se abraçar com afeto. 

Ainda não aprendi como fazer isso direito, mas esse processo é bem doido, principalmente entender que ainda tenho resquícios de uma versão de mim que nem sempre foi a melhor possível, porém que sempre esteve disposta a aprender, mudar e buscar o melhor caminho para si mesma, só não tinha gente do lado que soubesse respeitar os seus processos, mas que bom que agora tem.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

El Juego De Las Llaves: Maite Perroni com o você nunca viu

Juego de las llavez ou Jogo das chaves é uma produção original da Amazon prime video. Trata-se de uma comédia sobre monogamia a longo prazo. Trazendo à tona assuntos como casamento, autorrealização e desejo, a série é ambientada na cidade do México.

A série é estrelada pela ex rbd Maite perroni, que interpreta Adriana, uma mulher que casou com seu primeiro namorado o Sérgio, Interpretado por Sebástian Zurita, com quem estudou na adolescência.

O show tem censura para maiores de 18 anos, então se você é menor de idade, ou um adulto que não gosta desse assunto, sugiro que não assista. Caso contrário, tire as crianças da sala, prepare um bom balde de pipoca aproveite para maratonar os dez episódios. Com aproximadamente 30 minutos de duração, a cada capítulo a narrativa consegue prender a atenção do telespectador, fazendo com que  não perca a vontade de avançar o próximo episódio de imediato.

Com certeza esse show foi um divisor de águas na vida de alguns atores, como, por exemplo da Maite Perroni, que carrega o estigma da "rbd apagada" do grupo. Nessa série ela vem com tudo, mostrando um outro lado de sua atuação, entregando as emoções que o personagem exige e conseguindo passar com destreza para o público. Com o Prime Vídeo adquirindo cada vez mais espaço entre os brasileiros, chegando perto de sua grande concorrente a Netflix, as séries e filmes originais da Amazon está vindo pra ficar e conquistando um público tão fiel quanto o do serviço de Streaming Netflix.


A produção foi renovada para uma segunda temporada e em 2019 venceu o prêmio da GQMÉXICO como melhor série do ano. O show é dirigido por Fernando Lebrija, Kenya Márquez e Javier Colinas. Ambos diretores já estiveram envolvidos na direção de filmes nacionais de sucesso no México.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Um passeio pela história do R&B | Playlist


Imagem: dribbble

O R&B emerge nos Estados Unidos por volta da década de 40, mas essa história tem começo em meados do sec 17 e sec 18, quando o então escravizado povo negro ecoava cantos nas plantações de algodão nos EUA. Essas canções são conhecidas hoje como "work- songs" Ou Cânticos de trabalho. 



A temática desses cânticos era sobre amor, saudade, trabalho e outros assuntos do dia-a-dia. No brasil um disco intitulado O canto dos escravos foi gravado em 1982 pelos sambistas Geraldo Filme, Clementina de Jesus e Tia Doca. O disco teve tal impacto que impulsionou o canto dos escravos mineiros do séc 18 na cena musical contemporânea.

Ao longo dos anos pudemos observar a evolução do R&B, que em alguns momentos mais precisamente entre os anos de 2007/2010 se tornou parte do pacote pop que era oferecido para os assíduos telespectadores da MTV brasil, sendo assim oferecido a massa de jovens que acompanhavam os programas que exibiam lançamentos e clipes com exclusividade. O que contribuía para uma massificação do consumo e procura pelo artista e a musica em questão o levando as paradas de sucesso. Um dos grandes nomes que liderou as paradas do sucesso do mundo no ano de 2009 foi Alicia Keys. Uma das grandes promissora do r&b na década passada as artista estourou os charts da billboard com suas músicas.


Confira:
Alicia Keys - No one 2009

Com o passar dos anos o gênero se destacou na industria musical dessa vez não mais sendo vendido para uma massa que consumia tudo que lhe era oferecido com a etiqueta de popmusic. É bem verdade que o r&b se popularizou nos últimos cinco anos com a chegada dos serviços de Streaming musical e a facilidade para conhecer artistas do gênero não tão populares, se bem que dentro desse seguimento os artistas são bastante popular e fazem sucesso nas plataformas. O gênero é muito forte nos estados unidos, uma vez que surgiu lá, e com a popularização do movimento e cultura do povo negro nos últimos anos artistas jovem vem ganhando e conquistando espaço no meio musical por meio do R&B. No brasil os artistas estadunidenses são os mais populares. Nomes como The Weeknd. H.E.R. Frank Ocean e Jacquees. Estão entre os artistas mais acessados do gênero no spotify. Embora a busca por artistas de fora ser grande o ritmo está em ascensão no brasil e há artistas brasileiros fazendo um trabalho incrível nesse espaço. São jovens talentosos que além de carregar a bagagem da influência do berço do R&B, carregam a influencia de grandes mestres da musica brasileira e oferecem pro amante do gênero musical um r&b diferente, carregado de historia e identificação. Conheça alguns dos jovens nomes do R&B brasileiro

Ororo & Jovem Ralph - Toque do Celular 

DOUG - proposta

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Summer Walker: Over it, uma estréia feminina histórica | Playlist

Imagem: Reprodução/ divulgação capa do álbum

Summer Walker e lançou sua primeira mix tape comercial  Last Day of Summer  em outubro de 2018, apoiada em seu single principal 'Girls need love', a Mix tape conta com doze musicas incluindo um remix de Girls Need love com participação do rapper Drake. As musicas cantadas por Summer nessa mix tape retratam  seus pensamentos sobre o amor, duvidas e sua feminilidade. No final de 2018 saiu em tour com 6LACK na turnê  From East Atlanta With Love


O sucesso de Walker chamou a atenção da Apple Music, que  nomeou Summer Walker como sua mais nova artista Up Next e em 2019 a cantora se tornou a oitava artista do gênero R&B mais escutada ao redor do mundo na Apple Music. A cantora e compositora de 24 anos lançou Playing Games dia 23 de outubro de 2019, primeiro single de  seu álbum de estréia Over It. Mais tarde em 04 de outubro de 2019, lançou seu primeiro álbum na íntegra, sendo muito elogiado pela crítica. 


Imagem: Billboard


Summer Walker é  com certeza um grande destaque no R&B contemporâneo. As letras são em sua maioria românticas, ela canta muito sobre amor e a sensualidade está sempre presente em suas composições e melodias. Uma das compositoras de playing games primeiro single da artista é a cantora Beyoncé. Walker é uma iniciante no mundo da musica, mas isso não a faz menos prestigiada, muito pelo contrário. Seu álbum de estreia debutou em segundo lugar  na parada da Bilboard200. Com 134.000 cópias vendidas do em sua primeira semana de estréia.


 A cantora  fez história quando com o lançamento de Over It ganhou a maior estreia de streaming de todos os tempos para uma artista. Um feito até então inédito para uma artista  feminina de R&B. Walker também foi o vencedora do prêmio de   BET  'Melhor Novo Artista' no Soul train music awards de 2019.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Onisciente: uma série de ficção cientifica retratada no Brasil | Viciadas em Séries

Imagem: bronisciente.
Sinopse: No futuro, cidades são monitoradas por drones 24 horas por dia. Uma jovem descobre um assassinato que não foi relatado pelo sistema de segurança Onisciente, e decide, então, descobrir o que estão tentando acobertar. Do mesmo criador da série “3%”, Pedro Aguilera, também produção brasileira e original Netflix. A série traz Carla Salle como protagonista ao lado de nomes como Jonathan Haagensen e Marcelo Airoldi. Foi lançada dia 29 de janeiro de 2020.


É impossível ler a sinopse da série e não pensar em Black Mirror versão brasileira, confesso que fiquei apreensiva para assisti-la por causa do meu complexo de vira lata, mas logo no primeiro episódio a trama me segurou até o ultimo. Antes de tudo, eu sei que a Carla Salle não tem expressão, eu prometo que a atuação dos coadjuvantes fez a série valer a pena.

O roteiro é uma mistura de ficção científica com uma ponta de suspense causado por um mistério que ronda a trama. Fala sério, uma sci-fi ultratecnológica no Brasil é muito boa. Foi ótimo ver que nosso país também tem suporte para progredir mesmo que seja na ficção, não quero bacuralizar, mas foi ótimo assistir um futuro utópico tecnológico se passando nas ruas do Rio de Janeiro. Na trama, a cidade palco dos personagens é monitorada por um sistema de segurança chamado “Onisciente”. A premissa é a vigilância constante de todos os habitantes através de um drone que acompanha os indivíduos 24 horas por dia. O que torna tudo isso legal? Todas as gravações são analisadas em tempo real por um computador central, fazendo-se desnecessário a vigilância ou avaliação de humanos.

Imagem: BR 104

Confie, a história é bem mais complexa do que parece e o enredo é totalmente coeso, amarradinho e sem furos. Você não vai se arrepender de dar uma chance para essa série brasileira. Caso se arrependa, atualmente só tem uma temporada ainda com 6 episódios. Vale a pena arriscar.

Assista o trailer oficial.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Insubmissas Lágrimas de Mulheres | Estante


Para quem conhece a escrita da Conceição Evaristo, já sabe que a escritora trabalha com o que chama de ‘escrevivência’, ou o ato de se escrever o que se vive. A possibilidade de ser protagonista de sua própria história, o direito de ser o dono de sua própria narrativa... o que talvez sejam atos corriqueiros na vida de alguns, certamente não o são para mulheres negras.
Em Insubmissas Lágrimas de Mulheres, Conceição não faz diferente. O livro, publicado pela Editora Malê em 2016, também perpassa o contar de história de tantas mulheres que vieram e foram. Tantas que somos. Acompanhamos uma narradora que conhece diversas mulheres negras em suas viagens, e todas elas nos permitem conhecer seus caminhos, suas dores, seus afetos. É assim que, por exemplo, conhecemos a força de leoa de Shirley Paixão; a primeira paixão de Isaltina Campo Belo; e Mary Benedita, com sua fome insaciável do mundo.


Fácil de ler, o livro traz a poética de maneiras que só a Conceição Evaristo consegue ter ao descrever o dia-a-dia. São treze mulheres com histórias e trajetórias singulares, mas que uma coisa as une bem para além de entrarem em contato com a narradora: todas são mulheres negras. E isso é maior que qualquer coisa – é não compartilhar das mesmas trajetórias, mas se ver refletida em cada pincelada.
Como diz Mary Benedita: ‘como pintar a concretude da solidão de uma mulher?’. Creio que o quadro que Evaristo nos apresenta faz com que possamos, ao menos, espiar pelo buraco dessa fechadura.

domingo, 14 de junho de 2020

O resgate da essência selvagem feminina por Clarissa Pinkola Estés | Mulheres para Ler

Psicologa jungiana, Clarissa é também uma poeta e escritora norte-americana. Meu primeiro contato com ela foi através do seu livros de contos intitulado “Contos dos irmãos Grimm” cujo prefácio que ela escreveu me ganhou por completa. Algo me dizia que era uma escritora inteligente e completa. Não me enganei. De todas as suas obras essa é a que mais destoa dos demais.

 

Ela escreveu seu primeiro livro aos 25 anos, porém o mesmo só seria publicado 25 anos depois. Tenho certeza que você já leu ou ouviu alguém falar sobre “Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”. Uma obra atemporal que trouxe sucesso e reconhecimento para ela e é lido até os dias presentes. Adianto que não é uma leitura fácil, é preciso muita atenção e comprometimento para a desconstrução e o autoconhecimento que o livro propõe. Conheci uma booktuber que demorou um ano até lê-lo por completo, eu ainda nem cheguei à metade.


Imagem: La Oliphant 

Filha adotiva de imigrantes húngaros analfabetos e sem condições financeiras, Clarissa viveu com seus pais biológicos até seus 3 anos de idade. Sua família biológica tinha descendência mexicana e nativa americana, explicando o fato da mesma falar em espanhol desde os 3 anos. Sua ancestralidade também é tema de algumas de suas obras, ela a cita a importância de ouvir e dialogar com a mesma em “Mulheres que correm com os lobos” mas ela vai a fundo no tema em “A ciranda das mulheres sábias”, seu livro de lançamento mais recente.


Psicologa, poeta, escritora, roteirista e humanitarista. Há mais sobre ela do que alguém possa escrever. Convido você a conhecer e ler Clarissa Pinkola Estés e se permitir a desconstrução que ela te convida a fazer. 

"(...)Se você alguma vez foi capturada, se você alguma vez sofreu de hambre del alma, uma fome da alma, se você alguma vez se sentiu num alçapão e especialmente se você tem uma compulsão a criar, é bem provável que você tenha sido ou seja uma mulher braba. A mulher braba tem em geral uma fome extrema por algo profundo e, muitas vezes, pode ingerir qualquer veneno disfarçado na ponta de uma flecha, na crença de que ele é aquilo pelo qual sua alma anseia."
 - Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

Ctrl, três anos de sucesso | Playlist

Imagem: Reprodução/ divulgação capa do álbum

Solanána Ímã Rowe ou simplesmente SZA. Como é mundialmente conhecida a cantora de 29 anos. Conheci SZA através de um vídeo no Facebook uns anos atrás. No vídeo, uma jovem interpretava em frente a um espelhos uma das frases da música Love galore, canção de seu primeiro álbum com participação do rapper Travis Scott. Desde então fiquei apaixonada e não largo mais essa mulher.


Sza tem uma história um tanto quanto recente na indústria de música.  Em 2013, lançou duas mixtapes intituladas see.sza.run e S.

Ainda em julho do mesmo ano assinou com a Top Dawg entertainment, gravadora de Hip-Hop, na qual em abril de 2014 lançou seu  EP de estreia o Z. Nós anos que se seguiram Solána entrou em hiato musical, ou seja: Deu um tempo em lançamentos pois estava preparando seu álbum de estréia, crtl. Lançado em 9  de junho de 2017, o disco foi muito bem aceito pela crítica e aclamado mundialmente. Debutou em terceiro lugar na parada Top200 da Bilboard. A cantora chegou a ser indicada ao Grammy, mas não levou o prêmio.


As letras da músicas de Sza são melódicas e muito sensíveis. A composição falam muito de si e a mesma canta sobre sexualidade nostalgia e abandono. Ela literalmente canta sobre a solidão da mulher negra. A dificuldade que tem em der assumida por um homem que a ame de verdade.  Sobre o incomodo de ser procurada por uma pessoa que não quer nada sério com ela. Sobre não ser bonita o suficiente. Como ela canta na música que abre o álbum:

 I could be your supermodell
If you believe
If you see it in me” 

Eu poderia ser sua supermodel se você acreditasse, se você visse isso em mim.

A melodia das músicas pode soar romântica e tranquila algumas vezes, mas as letras de sza são fortes e retratam muita tristeza. Quem sabe na próxima não trago uma música analisada pra gente debater mais esse assunto?


quarta-feira, 10 de junho de 2020

Hollywood: uma visão utópica do cinema | Viciadas em séries


imagem: google


Obra de Ryan Murphy e Ian Brennan, também criadores de "Pose", "Freud" e "Glee". Hollywood é uma minissérie que se passa na década de 40, e que segue fielmente a linha artística dos autores de mesclar ficção com realidade. A trama central da série é um grupo de jovens sedentos pelo sucesso na indústria cinematográfica, e que durante o enredo se encontram para fazer um filme.


Os personagens são imediatamente carismáticos e carregam consigo características, que para a indústria da época afastam as chances de serem reconhecidos. São negros, gays e mulheres que tiveram que lidar com assédio, racismo, machismo e prostituição. No mesmo instante, a história nos remete uma sensação de ingenuidade absoluta ao comparar com a realidade que vivemos, e pergunta: será que se tais posições tivessem sido tomadas naquela época sobre esses assuntos teríamos uma sociedade diferente hoje? 


Talvez. Essa é a magia de mesclar ficção com realidade, com certeza o resultado é uma utopia. 
Hollywood tem apenas uma temporada, e está disponível na Netflix desde 1º de maio, e é uma produção que vale a pena adicionar na sua lista de séries para maratonar nesta quarentena. 






segunda-feira, 8 de junho de 2020

Arquétipo de uma Escritora


                    
                                                        Imagem: Google

Quase sempre me perguntam como arrumo inspiração pra escrever, bem, hoje decidi esclarecer o que me instiga a continuar com isso.

Não sei como arrumo inspiração para me sacramentar no gênero crônica, só sei que arrumo. Quer dizer, “arrumar” é um termo relativamente pejorativo quando estou falando da escrita, prefiro dizer que que as palavras nascem porque devem nascer. É a necessidade de expressão, o que me salva da realidade. 

A escrita é um deleite - pra quem lê - e uma tortura pra quem disserta. 
Digo, não se sabe como o outro vai reagir aquele seu reflexo... escrever é a minha arte e a minha fraqueza. E não, a escrita não precisa ser baseada em fatos reais, não estou pleiteando nenhum Oscar ou coisa do tipo. 

Deixando de lado a vaidade que há em mim, assumo que o que me instiga a escrever e continuar escrevendo é unicamente a necessidade de sentir e deixar fluir.  Me refaço em outros personagens, outros cenários, outras cores e outras dores. Considero quase como magia.  

Queria escrever mais. Queria escrever sobre escrever. Queria escrever sobre o quanto gosto de escrever. Queria escrever sobre o que escrever me faz sentir, porque de todos os meus amores e de tudo o que passa por mim, minha escrita não me abandona - até porque vivo pedindo a Deus pra me livrar desse momento. Por Deus, não. Eu deixaria de ser eu. Queria escrever sobre escrever e escrever e escrever.

Tá, assumo, há uma obsessão nisso. Mas somos assim mesmo! Nos apaixonamos e só queremos falar sobre a pessoa dos sonhos. Nos decepcionamos e só queremos falar sobre a dor. Arrumamos um emprego e só queremos falar sobre o emprego. Assim sucessivamente. Repetitivos e enfadonhos, eu diria. 

Assim sou com a escrita.

Às vezes me sinto tão sufocada com a realidade que não consigo falar sobre absolutamente nada. Mal consigo pensar, fico aprisionada num turbilhão de coisas. A escrita quase sempre me salva, me compreendendo melhor do que eu mesma. Sempre foi assim, acho que estou aprisionada. 

Reconhecimento nunca esteve em questão. Faço por mim. Essa sou eu. 

domingo, 10 de maio de 2020

10 de maio de 2020 | Escritos


imagem: capa do jornal O Globo

Eu não aguento mais assistir a morte online.

Viver na geração Z me corta ao meio todo dia.

Uma crise sanitária que atravessa o Brasil ou uma pandemia que assiste a crescer virtualmente quebra cada pedacinho de mim. Raiva, indignação, um poder sem poder e decisões sendo tomadas às coxas. Hoje, é domingo, dia das mães, fui obrigada a tomar decisões que não queriam… como ficar longe dos meus pais pelo meu próprio bem-estar ou capitalização ou capitalização ou dois a não ter o privilégio de #ficaremcasa. Como estatísticas estão começando a virar um cantor, escritor, um vizinho ou um pedido de um amigo.

Nesse dia 10 de maio em específico, um escritor que, apesar de não estar tão imerso na sua obra, conheça sua produção Sérgio Sant'Anna venceu o prêmio Jabuti quatro vezes. Um dos melhores jogadores brasileiros teve uma parada cardíaca hoje e morreu devido ao Covid-19. Mas tem o João também, a Ana que ninguém conhece. Um grande amigo, ou pai de uma amiga que nem teve tempo de cuidar, pois morreu antes do diagnóstico. 

Gente vendo gente morrer, mas ainda assim como assistir a gente batendo continuamente para o presidente, onde vamos parar com tanta gente assistindo morte e sem saber se quando vai pro trabalho está flertando com sorte - ou seriamente com morte?

Ainda bem que existe uma literatura e uma música para segurar essa gente nessa vida indo para outros planos, mas que adianta assistir malhação 2014 não é como o pão e o circo e não é outro tipo de dia para o globo são mais de 10 milhões de mortes confirmadas por Covid -19?

domingo, 12 de abril de 2020

Descobrindo novos territórios dentro de mim | Escritos


É doido como as coisas acontecem numa velocidade estranha, maluca e completamente no tempo certo. Não sei o que universo, destino e a vida num geral tem para mim nos próximos anos, mas é muito bom estar acordada às quatro da manhã e escrevendo sem ser por ansiedade ou estar numa crise doida que não me deixa desligar o cérebro. Não que eu consiga fazer isso sabe, ainda estou aprendendo a lidar com minha criatividade e entender que a ansiedade não tem nada a ver com isso e que estou no controle do meu corpo e mente.

Ainda é um território novo, meio hostil e talvez um pouco vazio, mas desbravar novas áreas dentro de mim mesma tem sido uma tarefa legal, bacana e audaciosa da minha nova fase. Conhecer a si mesmo é complexo, difícil e curioso ao mesmo tempo. Acho que a terapia tem muita culpa nesse processo, a perca do medo, a reinvenção de si mesmo e encontro/descoberta de um novo eu. Comecei o ano passado numa cidade diferente com gente diferente que me ensinou bastante coisa, especialmente quem quero e não quero me tornar. Todos estamos fadados ao erro né, nascemos errantes e morreremos com uma única certeza, de que acertar é possível, mas sem os erros a mudança não é possível. Como aprender se você nunca errou ao tentar? Como começar se você não se sabe nem por onde e que não existe um só caminho certo? 

Perguntas que ainda não encontrei resposta. E, sinceramente, não espero achar, pois também há beleza no que não pode ser definido plenamente, o que seria da vida sem ressignificados que o João (@akapoeta) escreve? É tão bom poder enxergar poesia no que outro vê, sente e escreve torna essa nossa passagem por aqui menos sombria. Sim, estamos todos só de passagem, você ai, eu aqui enquanto escrevo e metade do brasil ficando em casa nessa quarentena enquanto a outra metade não tão privilégiada trabalha e se expõe. Está tudo interligado e talvez nem tenha um real sentido para muita gente que se deparar com esse texto escrito por aí, mas algum lugar num domingo a noite sentado, lendo e escrevendo espero que a lei do acaso possa te abraçar.  

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Isi e Ossi: Um conto do Wattpad | Manteiga de Cinema

                                                                  Imagem: Reprodução / Divulgação

Quando se fala de clichês românticos, normalmente não nos apegamos tanto a fotografia ou algo mais técnico, mas sim se no final do filme vamos colocar a cabeça no travesseiro e desejar um amor. O filme Isi e Ossi fala de Isabelle e Oscar, ela tem dinheiro e quer ser Chef de cozinha, porém seus pais não apoiam, já ele quer ser lutador de box mas não tem dinheiro. O caminho dos dois se cruzam e eles selam um trato de que se fingirem que são namorados para pressionar os pais dela a dar dinheiro, ela o ajuda custear suas dividas, onde quando a intimidade que vai surgindo, uma paixão vai batendo na porta. A história parece que surgiu de um conto do Wattpad, sem muita profundidade porém muito fogo.

O começo do filme é bem chamativo e prende com sua forma de mostrar os dois personagens principais e seus mundos diferentes, mas ao decorrer da trama a sensação que vai esfriando e caiu somente no mesmo no clichê de sempre. Personagens secundários não são bem explorados e quando aparecem temos que sensação que estão ali só para causar atrito. O filme não tem um final fechado, a última cena é um questionamento sobre qual seria o final dos personagens, podendo ou não deixar um fio para uma possível continuação.
Imagem: Reprodução/ Divulgação

A fotografia e a trilha sonora são pouco atrativas, a atuação dos protagonistas chega até ser meio questionável, enquanto sentimos Ossi queimar na tela, temos a sensação de Isis estar meio morna. O roteiro tem vários furos quem em alguns momentos do filme fica perdido como o enredo foi parar lá. Só que o mais incrível com várias falhas o filme ainda conseguiu chegar ao marco de quase 2h de duração, o que parece bastante tempo para o longa.

Por fim, é um tipico filme para se ver naqueles dias carentes e preguiçosos que só queremos algo para esquentar e confortar sem quebrar a cabeça.


domingo, 29 de março de 2020

Desabafar ou desabar? | Escritos

Imagem: tumblr


*este texto pode conter gatilhos para quem tem ansiedade

Dizer as coisas que sinto nunca foi tão simples pra mim, talvez porque sentir tenha parecido errado para quem eu falava sobre meus sentimentos ou talvez seja a droga da ansiedade que grita coisas na minha cabeça que não fazem sentido no meio das crises.

Falar nunca é fácil, mas escrever deixa tudo menos pesado durante esse processo. Quando comecei o tratamento sabia que a cura não é linear, na verdade a cura não existe, mas é possível alcançar um equilíbrio/controle dos seus sentimentos e aprender a lidar com eles na terapia. Só não é simples e nesse processo tenho tropeçado tanto que ás vezes me dá dó de mim mesma, sei lá eu nunca pareço saber desabafar sem desabar. É como se eu fosse a casinha dos três porquinhos que com pequenos sopros fosse para os ares, mas na verdade é com pequenas palavras sabe? É como se os pequenos desabafos no meio do caminho fossem me derrubando até uma crise chegar.

A falta de confiança, a auto sabotagem e depois os pensamentos confusos que parecem dançar na minha mente até que eles fazem o meu peito explodir e conseguem me deixar finalmente tão ansiosa quanto nunca antes. Sentir o coração amassando dentro do peito é a pior sensação que você pode ter na vida depois não conseguir respirar. E como o roteiro chamado vida nunca me deixa na mão, já senti as duas coisas e quis nunca mais sentir algo parecido.

É como andar na corda bamba, só que sem a corda.

E, sabe, ás vezes quando tudo fica bagunçado assim a única alternativa que tenho é escrever ou dependendo da intensidade falar com meu psicólogo. Quando nada disso funciona, como agora, depois de meses sem crises muito fortes e uma vida linear, sento e recomeço tudo outra vez.

Escuto uma música e ao ser embalada pela melodia, me deixo ser abraçada por mim mesma e tento não sentir pena de mim, não me culpar. Afinal, eu não tenho culpa de ter ansiedade.

domingo, 1 de março de 2020

365 dias sem você | Escritos


Sabe amiga, na segunda de carnaval fui no show do Emicida com Nicole e uns amigos. No meio de uma canção lembramos de ti, seguramos as lágrimas e respiramos fundo. Só a gente sabe como foi difícil para as duas manteigas derretidas do grupo não cair num rio de lágrimas, mas conseguímos, a gente sabe que você odiaria isso e desculpe escrever que para dizer que nem todo dia primeiro é assim. No ano novo não foi, chorei no banho, no ônibus e antes de dormir. Todo dia um é complicado recomeçar, sentir sua ausência ou suportar o peso de existir sem te ter por aqui. A vida passa rápido, as coisas estão acontecendo num ritmo tão acelerado que nem obturador da minha câmera consegue capturar, nem meu lápis em um dos milhares de caderninhos que tenho para escrever pensamentos e que você ria das coisas aleatórias quando lia.

Fred & Júlia ganhou um final, a dedicatória do livro é sua e talvez ainda esse ano seja de fato publicado em algum lugar. Morar em outra cidade não foi tão difícil assim, eu consegui fazer amigos, não fui antissocial ,juro, fui sociável até demais e quebrei a cara algumas vezes. Sei todo o discurso decorado que diria sobre não ter medo de viver e ser corajosa juntamente com Nicole a tira-colo dizendo que me privei de viver a vida que quero por tempo demais, mas prometo que estar cumprindo o combinado de ser menos medrosa e ir com medo mesmo. Ah, raspei o cabelo na lateral, minha família odiou, porém amei ter me visto diferente e não parei por aí também o cabelo rosa foi com certeza o melhor que poderia ter feito. Tatuei uma lua minguante no braço direito para simbolizar a mudança interna e externa, comecei a organizar meus projetos de livros rascunhados no computador e achei uns diários antigos.

Fiz um curso de roteiro, descobri que amo audiovisual e que produção é com certeza o que quero fazer da vida. Encontrei amigos e um projeto para fazer da minha vida, o projeto popular, me organizei no movimento estudantil e achei um lugar onde posso lutar pelos nossos direitos para um projeto de sociedade que acredito. Toda a raiva, indignação ainda estão por aqui, mas o luto e o ódio do destino me ensinaram lições valiosas, a maior delas foi usar todo esse sentimento ruim para transformar a minha existência e de outras pessoas em algo melhor, mais suportável. Queria que ainda estive aqui, queria tanto poder compartilhar a vida contigo e ouvir sua risada gostosa no fim do dia quando conto minhas histórias ou quando falava em espanhol mostrando o quão era apaixonada pela língua, compartilhava seus medos, incertezas ou só um meme engraçado no grupo para fazer a gente conversar na madrugada.

Ai Shay, esse mundo sem ti é duro e sombrio, ninguém sabe como lidar com essa saudade. Te escrevo sempre que posso, te sinto todo dia comigo, lembro de você nas noites estreladas, pois a mais brilhante estrela no céu tem quer ser Sharlene. Não tem pra ninguém sabe, o mundo ainda reflete você o tempo inteiro amiga, te amo.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Confidências de uma ex-popular, uma história sobre transformação | Estante

Nome: Confidências de uma ex-popular.
Autora: Ray Tavares.
Editora: Galera Record.
Páginas: 432 páginas.
Classificação:
Onde encontrar: Amazon

Sinopse: Essa com certeza é uma história sobre transformação. Renata, é herdeira de um grande império e como toda garota mimada que cresceu sem a presença dos pais ela acaba sendo bastante inconsequente. Depois da sua última travessura seus pais resolvem enviar a garota para um internato católico no interior de São Paulo, porém a garota parece detestar a ideia e acredita que seus pais enlouqueceram de vez se acham que Renata Vicenzo vai morar num naquele lugar sombrio, estanho e provavelmente deve cheirar a mofo pela idade de existência do local. O internato nada mais é que um ambiente onde os filhos da elite paulistana são enviados como um corretivo por seus pais ou porque acreditam que lá é onde eles terão a melhor educação no país, mas também é o lar de um misterioso grupo bem interessante. 

A herdeira do grande império sempre se mostrou muito contente em carregar esse título, mas apesar de ter muito dinheiro lhe faltava o mais simples, afeto. Depois de cometer sua última "travessura" e ser expulsa da sua antiga escola, seus pais ficam muito preocupados com seu comportamento especialmente pelas suas companhias em São Paulo e decidem matricular a garota num colégio interno como última tentativa na esperança de uma mudança. Tendo que recomeçar num rígido internato católico onde ninguém parece ligar pro seu sobrenome, a jovem se vê perdida, mas acima de tudo sozinha já que depois das últimas notícias e consequências de suas "travessuras" seus então "amigos" a abandonaram, assim como seus pais que largaram ela no interior naquela escola que cheira a mofo.

Lidando com o desprezo de seus colegas e fugindo das investidas de um misterioso grupo em especial do seu presidente que parece querer sua atenção a todo custo. Seguir em frente vai ser complicado, solitário talvez, mas acima de tudo muito intrigante e ao descobrir seu interesse por um aluno em particular cujo as condições de vida pode ser bem diferente da que ela sempre esteve acostumada a levar em São Paulo. E no meio dessa bagunça a literatura e leitura crítica podem fazer tudo recomeçar outra vez de maneira mais leve. 

Minhas impressões:
Com certeza essa é uma história que mostra o poder de transformação social da educação através da literatura, a senhorita Vicenzo apesar de seu humor ácido e inigualável sempre precisou de nada mais que afeto e atenção. E encontrou através da educação o ponto de partida para sua transformação social  e pessoal, através da leitura crítica e discussões dentro de sala de aula. O contato com realidades diferentes é essencial para o contraste entre os personagens e o que deixa o livro bem interessante, criativo e essencial para que esteja no mercado literário brasileiro. 

O que mais gosto na escrita da Raíssa é de como ela não se esforça para agradar ninguém, simplesmente escreve uma narrativa, ambiente e personagens que gostaria de ler. Isso é nítido pela forma como conta suas histórias e é importante num escritor, pois criar premissas significativas não adianta de nada se a história como um todo não consegue se sustentar bem e se desenvolver gradativamente. Esse estava no wattpad como Bola na rede antes de ser publicado já era muito bom, mas é notável a mudança na escrita e amadurecimento especialmente da autora que repaginou tudo, vendeu os direitos para uma produtora e espero realmente façam jus a esta história a adaptando brilhantemente com toda sua grandeza e potencial.

Renata Vicenzo não poderia ter humor e postura mais engraçadas possíveis, uma vilã que se torna a mocinha que luta por justiça social. Antes de perder tudo ela ainda não tinha tomado consciência de si, mas essa história é muito mais que um belo romance adolescente e é por isso que admiro tanto a Ray, críticas sociais, política, inspiração para jovens com força de vontade para serem fator de mudança. Essa com certeza é uma história sobre transformação.

Citações favoritas:

Fico feliz em ver tantas opiniões, mesmo que divididas. São discussões assim que têm o poder de transformar.

Se não der certo, você tenta de novo. Ou tenta outra coisa . Se adapta. A vida é assim, Renata. Cheia de surpresas, deliciosas e amargas.

Todos nós em algum momento, temos que sair da nossa zona de conforto, Renata. É assustador, mas também libertador.

À primeira vista, as coisas têm uma beleza inesquecível.

Existem pessoas que só queriam uma oportunidade. Pessoas que por não se encaixarem no mesmo padrão, começavam a ter uma desvantagem.

Sabe, a gente precisa levar muitos tombos para aprender nessa vida,

Que por mais divertido e rebelde que seja, precisamos pensar duas vezes antes de tomar alguma decisão, porque ela pode ter consequências severas no futuro.

São poucos os que tem esse tipo de coragem.

Às vezes, bons líderes são aqueles que tomam as melhores decisões pelos outros.