domingo, 30 de agosto de 2020

Aniversário e acaso | Escritos

 

Imagem: Pinterest

Já passava da meia-noite, era dia primeiro. Estávamos sentados em um bar escuro e com algumas poucas pessoas ocupando aquele espaço junto conosco. 

A cerveja chegou. Os caixas de som  na parede ecoavam musicas aleatórias e antigas que tenho certeza, eram conhecidas por todos ali. Naquela noite você bebeu minha cerveja favorita que eu abri no dente como de costume. 

E lá estávamos. Eu e você, sentados num bar escuro, sentados ao redor de umamesa alta no canto da parede com dois lugares, que, eu e você ocupávamos como se fossem os melhores lugares no melhor bar do mundo.

A gente quase não falava nada, era mais estranho pra mim que pra você comemorar teu aniversário daquele jeito, juntos, como se o resto do mundo e tudo que vinha com esse “juntos” não existisse. Você fez questão, e eu fui, sem requer fazer qualquer objeção entrei no teu carro disposta a comemorar do jeito que você quisesse. E você quis que fosse apenas eu e você.

 Eu estava me divertindo com uma música do rouge, ou seria Michael Jackson? Não lembro, mas lembro de sentir teus olhos me observando, era o que você sabia fazer de melhor. Me observar, e então entre uma música e outra sentei naquele banco alto, você me olhou. 

Me disse, entre um gole e outro de cerveja, me olhando todo calmo que não acreditava no acaso.

Entendi o que você quis dizer e brindamos.

Brindamos todos os clichês e todo o passado escuro atrás de nós. Brindamos e você dançou comigo. Brindamos de novo, o bar agora mais vazio. Você segurou minha mão e me beijou. Sorriu. Sentou naquele banco alto de madeira, tirou o celular do bolso enquanto eu dançava você me registrava. Fotos? Vídeos? Não sei, você nunca me mostrou. Era pra você, porquê no fundo sabíamos que não ia durar. Pra você o registro sempre foi em fotos e vídeos que eram feitos timidamente e as vezes escondido. Mas pra mim sempre foram essas palavras tolas que me sufocaram durante os meses em que você esteve no mar.

Esses dias me lembrei do dia primeiro, foi uma lembrança boa, dessas que vem como quem não quer nada. 

Então, me vi de volta naquele dia.

Sentada numa cadeira antiga, no terraço do teu apartamento completamente atordoada pesquisando o significado de acaso; enquanto você dormia no quarto ao lado. De repente, acaso não significava mais nada para mim.

Se alguém me perguntar hoje o que é acaso,

eu vou dar a definição que li no

Google naquele dia.


Seca e direta.


Não vou mais filosofar.
Deixar que surjam conversas longas.
Conversas inteiteiras, conversas que se perdem
Não vou mais criar teorias pra coisas que...
Coisas que simplesmente aconteceram.
Uma palavra, algo que eu se quer acreditava
já não tem mais o mesmo sentido.
Você estragou. Me fez desaprender.


Eu não sei mais o que é acaso, não sei se acredito.

Logo eu, uma grande fã do destino que sempre carregou tanto desprezo sobre o acaso, agora espera que o acaso aconteça. Aluns anos depois e a definição que eu tinha de acaso e o desprezo sumiram com você. 

Eu não sabia mais o que era acaso.
Mas podia afirmar com toda certeza,
como você me disse naquela noite
que não acreditava nele,
que o que aconteceu conosco não foi obra dele.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

SUPERMÃES: MULHERES ALÉM DA MATERNIDADE | VICIADAS EM SÉRIES

imagem: google.

Sinopse: O dia-a-dia de Kate (Catharine Reitman), Anne (Dani Kind), Jenny (Jessalyn Wanlim) e Frankie (Juno Rinaldi), quatro mulheres que se conheceram em um grupo de mães bastante críticas. Com o fim da licença maternidade, as amigas precisam aprender a conciliar filhos, trabalho e amor, enquanto vivem na agitada cidade de Toronto.

Elenco: Catharine Reitman, Dani Kind, Jessalyn Wanlim, Juno Rinald e entre outros. 

imagem: google

Supermães (Workin Moms) é uma série que está disponível no catálogo do streming Netflix. Diferentemente das comédias comuns que estamos acostumados que contém um roteiro repetitivo e situações caricatas, esta série tem um enredo particular e aborda temas bem polêmicos. A série foi criada e estrelada por Catherine Reitman, e traz uma realidade comum a todas as mães: as glórias e as desventuras de se ter um filho. 

 A primeira impressão que tive ao assistir Supermães foi o realismo como o enredo se passa, na verdade, cheguei a pensar que seria um reality show. O enrendo é uma descontrução do que se está acostumado a se ver na TV quando se trata de mães e recém-nascidos. Muitas pessoas, com medo das repressões acabam mostrando só o lado glamoroso da maternidade, e nesta série toda angústia é exposta, quase como que um desabafo. O humor aderido pela criadora é ácido e cheio de críticas a sociedade e de como ela enxerga as mulheres. 




As personagens além de mães são mulheres. Mulheres que tem desejos, ambições e propósitos, por isso a série não hesita em mostrar situações de machismo, que são combatidos com humor e diálogos bem construídos entre os personagens. 

A produção faz questão de destacar o enredo particular de cada personagem que são ligadas por um grupo de mães com recém-nascidos liderados por Val Szalinsky (Sarah McVie). O interessante nessa série é acompanhar os desafios que cada uma dessas mulheres enfrenta, seja no âmbito profissional ou familiar, e quais meios utilizam para vencer tais batalhas. 


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Mayra Andrade e o afrobeat de Cabo verde

 

Eu e um amigo temos o costume de sempre indicar musicas um ao outro, assim não caímos na mesmice  de nossas playlists. Ele sabe meus gostos e eu sei os dele, mas as músicas que compartilhamos sempre nos fazem sair de nossa zona de conforto, do que já estamos acostumados a ouvir.

E foi assim que Mayra Andrade chegou até mim. Minhas primeiras impressões foram de surpresa mesmo. Já que na música que ele me enviou, ela canta um português com sotaque até então desconhecido por mim. Como acompanho alguns youtubers  de países africanos que falam português, imaginei que Mayra pudesse também ser de algum desses países.

A princípio achei incrível. Aquele estava sendo meu primeiro contato com uma música cantada em um português próprio de Angola, Cabo Verde ou Moçambique.  Os dias se passavam e lá estava eu ouvindo e ouvindo de novo  Terra da saudade. A música de Mayra em questão. Até que um dia de manhã decidi procura-la nas redes sociais, precisava  ver o rosto e a vida compartilhada daquela mulher que com sua voz estava embalando meus dias por quase uma semana e meia.


E eu havia acertado em cheio, Mayra é Caboverdiana. Passei a consumir os videos dela em seu canal no youtube e foi aí que percebi que Mayra é uma artista muito mais complexa do que aparenta ser. Corri Pro Spotify onde estava quase quebrando a tela de meu celular clicando no  play e pondo  Terra da Saudade pra tocar. Decidi naquele momento, quase duas semanas depois ouvir o álbum inteiro. 

Manga, nome do Terceiro álbum de estúdio da cantora, me apresentou uma face do afrobeat até então desconhecida por mim. Me introduzindo ainda, a uma linguagem que jamais havia ouvido falar. O  Criolo-Caboverdiano. Essa linguagem se trata de uma mistura de um dialeto africano com o português e surgiu na época da colonização portuguesa que se deu no Arquipélago de Cabo Verde. O crioulo de Cabo-Verde é de base lexical portuguesa, ou seja, as palavras são portuguesas, mas a sintaxe e a morfologia são mais da língua autóctone. E é desse jeito que Mayra leva o álbum do começo ao fim. Com algumas músicas em português e outras cantadas em sua língua materna.

A experiência de ouvir a caboverdiana cantar é incrível e única. Seu álbum é sensual, animado, suculento e muito gostoso de se ouvir. O fato de não entender as palavras que ela canta nas músicas em Crioulo, não afeta em nada o aproveitamento e a experiência diferente que ela vai te proporcionar no segundo em que o você der play no álbum. Mayra canta em Português e em Criolo caboverdiano


Manga, a música que da nome ao álbum vai teletransportar pro mundo de Mayra, paras águas azuis dos mares de Cabo Verde, vai te fazer querer dançar de pés descalços na areia macia de uma praia que você nem sabia que existia.


Terra da saudade é a música que me trouxe até aqui. A música que me introduziu a esse afrobeat tão desconhecido por mim.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

5 MOTIVOS PARA ASSISTIR "CARA GENTE BRANCA" | VICIADA EM SÉRIES

 

imagem: google.

Sinopse: Uma guerra cultural entre negros e brancos vem à tona em uma universidade predominantemente branca quando uma revista de humor organiza uma polêmica festa de halloween. 

Elenco: Logan Browning, Brandon P. Bell, Antoinette Robertson, Ashley Featherson, DeRon Horton, Marque Richardson e outros. 

imagem: google.

Dear White People ( ou Cara Gente Branca, em português) é uma série baseada num filme de 2014, e conta a história de Sam White (Logan Browning) e outros jovens negros numa universidade majoritariamente composta por alunos brancos nos EUA, que após uma festa blackface organizada por um grupo de alunos brancos desencadeia várias tensões raciais no âmbito acadêmico. Cara Gente Branca é sobre racismo, mas também é muito mais. 

Separamos 5 motivos pra você assistir essa série e sobre os assuntos importantes que ela toca - e que todo mundo deveria saber sobre o racismo. 
 
1. O colorismo existe 

Cara Gente Branca mostra não só a diferença entre negros e brancos - que é gritante - mas também a diferença dos negros entre si. Falar de colorismo é um tema delicado, por exemplo aqui no Brasil cerca de 40% da população se identifica como "parda". "Mulato", "moreno", "escurinho", são termos que surgiram para abarcar pessoas negras de pele mais clara. Ver as tensões raciais que existem em Cara Gente Branca ajudam a  olhar o Brasil com outra persperctiva. 
Por exemplo, a relação entre Coco e Sam. Ambas são mulheres negras. Coco tem a pele mais escura, e com isso ela carrega memórias com as quais fazem ela lidar com a sociedade do jeito que ela lida. A série nos faz entender que Sam sofreu menos racismo por ter pele mais clara e olhos verdes. Assim, Coco acaba sendo taxada como arrogante e reprodutora do racismo, como se já não bastasse ser comparada a seus amigos brancos, ela também se sente inferior em relação ao resto da comunidade negra. 

2.  Existe também uma coisa chamada "solidão da mulher negra"

Além de sofrer mais o racismo do que Sam, Coco também parece ter sido deixada de lado pelos homens - tanto negros quanto brancos. Isso mostra o quanto a cor da pele influencia nas relações afetivas. Se um homem negro está dividido entre uma mulher branca e uma mulher negra, grandes chances são a que ele escolha a branca. Se um homem está dividido entre duas mulheres negras, sendo uma de pele mais clara, grandes chances são a que ele escolha a que tenha pele mais clara. Isso se chama "solidão da mulher negra", e é mensurável. 
 
3. É importante ocupar espaços 

Ao longo de Cara Gente Branca, Gabe (Jonh Patrick Amedori) - o único branco entre os principais - tenta participar de um debate racial na universidade. Na moradia negra, a sua opinião é desconsiderada por causa de sua pele branca. Agora é só inverter, e ver como um negro que é o único em sua sala de aula, por exemplo, se sente. Ser o único o tempo todo dói demais, e faz com que a sua voz seja silenciada por um sistema hegemônico e racista. Acredito que a maior lição que essa série nos traz é que a pessoa negra ela não precisa ficar calada, só porque ela foi acostumada a ficar assim, e que deve sim ocupar os espaços que são seus por direito. 

4. Negro não é fantasia de carnaval 

Apropriação cultural também é um tema muito delicado, e ganha uma outra abordagem em Cara Gente Branca. Ela acontece em uma festa quando diversos alunos brancos "celebram" a negritude pintando os rostos de marrom, se vestindo de ícones da cultura negra, só que de maneira estereotipada e exagerada. Acontece que os negros não precisam de uma homenagem dessas, e os elementos culturais importantes não podem virar fantasia de festa. Não adiante pintar o rosto de marrom enquanto contribui o tempo todo para a manutenção do racismo. 

5. Racismo reverso não existe 

Não adianta se vitimizar por ter sido chamado de "branquelo" ou "alemão". Racismo reverso não existe. Em Cara Gente Branca, os alunos brancos ficam chocados quando Sam faz generalizações e os chama de racistas. Uma piada com pessoa de pele branca pode até causar desconforto, mas numa fez com que alguém fosse impedido de entrar numa loja cara, por exemplo. O racismo contra negros é estrutural. Segundo o IBGE, os trabalhadores negros ganham, em média, 59% do rendimento dos brancos. O racismo é um mecanismo que faz com que os negros sofram todos os dias, a toda hora. Cara Gente Branca, não existe piada de "branquelo" que faça com que você saiba o que os negros sofrem todos os dias. 

domingo, 16 de agosto de 2020

Algumas coisas ficam mal resolvidas mesmo | Escritos

 

Imagem: Pinterest.

As pessoas adotaram um mantra que diz que todo ser humano tem que ser bem resolvido, dono de si e por os pingos nos i’s em todas as situações experimentadas. Depois de muito pensar sobre isso e me machucar tentando resolver situações que nunca deveria sequer ter voltado para, descobri que essa regra não vale para tudo. Algumas coisas ficam mal resolvidas mesmo. E tudo bem.


Às vezes você não tem afinidade com uma área do seu curso, não precisa se forçar a gostar. Aquela pessoa que não gosta de você pelo que outra pessoa disse e não porquê nunca te conheceu de verdade, não vai mudar de opinião, não importa o quanto você demonstre que não é nada daquilo. Não adianta voltar atrás e dar chances ao seu ex-namorado porquê você se sente madura e segura, mas ele continua sendo a mesma pessoa infantil que vai te machucar todas às vezes que puder. E tudo bem.


É preciso se livrar do peso que colocam na gente de que tudo depende de nossa força de vontade, há coisas e situações que estamos à mercê da disposição alheia. Chegou um momento que eu finalmente aprendi a me livrar do peso de situações mal resolvidas na vida porque nem sempre as pessoas vão colaborar comigo. Também é duro exigir das pessoas um nível de resolução que às vezes elas não têm ainda. Sabe, nem todo mundo é bem resolvido. 


E está tudo bem.


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

MICHELE OBAMA COM OUTROS OLHOS



 


BECOMING é nome da auto biografia da ex primeira dama dos Estados Unidos Michelle Obama. Becoming também é o nome da produção exclusiva da netflix que conta a trajetória da turnê que passou por 34 cidades para o lançamento do livro de Michele.

Se você ainda não assistiu, não perca mais nenhum segundo e corra para dar play nesse documentário maravilhoso. É sensível e íntimo, mostra os bastidores de uma mulher extremamente poderosa e o impacto que ela causou nas pessoas.

Tonando-se é a tradução de becoming e é exatamente isso que o documentário mostra. Como ela se tornou a pessoa que inspira jovens mulheres negras no mundo inteiro. 

As entrevistas de lançamento do livro em que ela participa  foram feitas em auditórios gigantes e  completamente lotados. Quando a câmera mostra as pessoas que ali estavam ocupando o espaço para ouvi-la falar, contar um pouco de sua história. Os olhos de admiração era tudo de mais genuíno que se podia perceber da plateia.

O documentário ainda mostra as gigantescas filas para autógrafo do livro, e meninas muito emocionadas ao se encontrar com ela. Michelle diz que adora esses momentos, pois  tem contato direto com seu público e consegue ouvir um pouco do que eles tem pra contar. 

Produzido pela produtora dos Obama a Higher Gounds Prods,  e distribuída pela netflix, ficou disponível no catalogo do serviço de streaming no dia 06 de maior de 2020. 

Assista ao trailer:

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

GOOD GIRLS: UMA COMÉDIA QUE NÃO É O QUE PARECE | VICIADA EM SÉRIES

Imagem: Google


Sinopse: Beth Boland (Christina Hendriks), Annie Marks (Mae Whitman) e Ruby Hill (Retta) são três mães de família tentando lidar com problemas financeiros e maternais. Cansadas de estarem sempre perdendo, elas decidem planejar um assalto a um supermercado, mas o sucesso do plano faz com que fiquem no meio de uma operação ainda maior e mais perigosa.

Elenco: Christina Hendriks, Mae Whitman, Retta, Manny Montana, Matthew Lillard, Reno Wilson, James Lasure e outros. 
imagem: google

A sinopse da série Good Girls nos faz acreditar que se trata de uma comédia leve, apesar de envolver criminalidade na trama. Entretanto, o enredo nos surpreende e se mostra mais sério do que você pode imaginar inicialmente. 

A série criada por Jenna Bans, conta a história de três amigas que estavam passando por dificuldades financeiras e não sabiam de onde tirar dinheiro. Então, resolvem assaltar um estabelecimento. Às três personagens principais são Beth Boland (Christina Hendriks), mãe de 4 filhos que recentemente havia descoberto a traição do marido;  Annie Marks (Mae Whitman), irmã mais nova de Beth, mãe solteira de uma garota e funcionária de um supermercado; e por fim, Rubby Hill (Retta), melhor amiga de Beth, e precisa do dinheiro para tratar a doença rara da filha. 
Imagem: google
Algumas decisões da vida se tornam uma bola de neve, e é isso que Good Girls quer mostrar. O que seria um "simples" assalto para pagar algumas contas, se tornou uma (gangue) que sempre está em busca de mais dinheiro. A série também apela bastante para o fator emocional, mostrando claramente os motivos que fazem elas continuarem na vida do crime. 

No caso de Beth, seu marido começou a se dar mal no trabalho e perder bastante dinheiro, e como ela sempre foi dona de casa, precisa começar do zero para encarar um divórcio e a criação de quatro filhos. Para Ruby, a motivação é a doença de sua filha. Enquanto aguarda na lista de transplante, ela precisa tomar remédios caríssimos para ter uma vida tranquila. E até mesmo quando um doador aparecer, a quantia a se pagar por um novo órgão é bastante alta. Já no caso de Annie, o dinheiro é necessário para pagar um advogado que defende a permanência de sua filha com ela, já que o pai entrou na justiça para obter a guarda, afirmando que ela não tem condições de dar uma vida digna para a filha.

A série está disponível no streaming Netflix, e que recentemente disponibilizou a terceira temporada da trama com episódios com pouco mais de 40 minutos. 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Rita: Uma professora fora de série | Viciada em séries

Sinopse: Todos os alunos sonham em ter como professora a simpática Rita Madsen (Mille Dinesen), uma mulher de personalidade forte e com talento especial para sua profissão. No entanto, fora da sala de aula a vida dessa professora é um completo desastre.

Elenco: Mille Dinesen, Carsten Bjornlund, Ellen Hillingso, Lise Baastrup, Nikolaj Groth, Morten Vang Simonsen, Sara Hjort Ditevsen, Charlotte Munck e outros.

Criada e dirigida por Christian Torpe, “Rita” é uma série dinamarquesa que mostra a vida, o cotidiano, os desafios e problemas de uma professora nada comum. Na escola, ela é adorada pela maioria dos alunos que sonham em ter aula com ela. Já fora dela, Rita lida com o desastre que sua vida pessoal se encontra. Como é produzida pela Neftlix, você pode assistir a série pela mesma, mas a nova temporada ainda está no ar na TV dinamarquesa, entrará no serviço de streaming após ser finalizada.


Para ser sincera, comecei a série com poucas expectativas, querendo apenas passar o tempo que tinha livre, porém me surpreendi com o roteiro, a fotografia e a trilha sonora. Falando em música, a trilha sonora em grande parte é composta por músicas indies e na mais recente pudemos ouvir alguns artistas dinamarqueses. Caso tenha se interessado, essa playlist reúne as mais legais. Como estudante de licenciatura, me identifiquei muito com a personagem, pois foge do estereótipo de professor tecnicista e restrito, Rita consegue ser popular entre os alunos justamente por sua abordagem fugir dessa coisa quadrada, ser mais realista e honesta. É sobre enxergar o aluno como uma pessoa real com problemas reais, não mais um número para atingir a média.


Em contrapartida, a série também aborda a vida desastrosa da personagem que é uma divorciada que tem problemas de comunicação com os filhos. A trama traz muito desse contraste sobre sua popularidade entre os jovens na escola com sua dificuldade de construir intimidade com seus próprios filhos. E aborda outros problemas da vida de mãe solo, como a sobrecarga de criar os filhos enquanto o pai não exerce muito seu papel. Como ela está mais presente e é a única responsável pela criação deles, acaba sempre sendo a figura de "mãe rígida" enquanto o pai é o parente legal por ter menos contato com seus filhos.

Imagem: Minha Visão do Cinema.

Uma série que vale a pena, principalmente se você faz ou quer fazer algum curso na área de educação. Boa também para pessoas que não são da área terem uma breve ideia do que os profissionais passam, da bagagem emocional que muitos tem que abandonar na porta da escola para conseguir se sair bem. Além de acarretar várias musicas legais para as playlists. 

Assista o trailer oficial:

domingo, 26 de julho de 2020

Meus quereres são iguais ao café que tomo pela manhã | Escritos

Imagem: Pinterest
Acordei com a cabeça doendo e o coração pesado. 
Seis da manhã e eu já estava com vontade de ir embora. 
Não sei que mania é essa que me segue, que anda comigo e não me solta. Nunca sei meu motivo de querer partir. Na verdade, acho que sei, só não entendo. Meu corpo se contrai e minha vontade se perde no meio de tanto querer. Não sei que querer é esse que nunca quer, que sempre volta duas casas e prefere ficar longe. Não sei que querer é esse cheio de medo, de insegurança.
Não entendo esse querer que me traz à tona memórias uma vez já esquecidas? Me fazendo comparar dando-me mais um motivo para correr. 
Eu não sei.
Gostaria que meus quereres fossem fáceis como Caetano faz parecer que são os quereres quando canta, mas bem sei e aceito.
Eles não são.
Meus quereres são confusos e cheios de intensidade. 
Tão fortes como o café que faço pela manhã. Quando há vontade de correr o querer me faz ficar? Quando me queres, eu quero fugir. Quando te quero, nos queremos. Eu não quero saber desses quereres que pesam o coração e me doem a cabeça. Não quero correr, quero ficar. Mas não consigo me livrar de meus quereres, eles são muitos e eu tão verde que sou não sei administrar.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

FLAIRA FERRO: A FÚRIA DA MPB | Playlist

imagem: Google/ Matheus Mello

Nascida em Recife na época do carnaval, Flaira ingressou na vida artística aos seis anos de idade através da dança. Formada em Comunicação Social, Flaira é cantora, compositora e dançarina. Escancaradamente apaixonada pelo seu estado, Flaira diz isso não só em entrevistas, mas também em suas canções, exaltando ritmos, estado, como o frevo e o maracatu. As canções de Flaira falam também sobre o sagrado feminino e liberdade, e a materialização disso é a canção “coisa mais bonita”, que no clipe mostra mulheres se masturbando, e que depois de lançado sofreu grandes represálias e foi retirado do Youtube. O vídeo retornou, com restrição de idade, graças a fãs e pessoas sensíveis à causa. Essa música nos mostra a importância de ser mulher, de refletir sobre a importância de se apropriar do prazer feminino.


A primeira vez que escutei Flaira fazem uns dois anos, a canção era "Me curar de mim" do álbum "Cordões umbilicais", e acredite é minha favorita até hoje. Essa canção é uma espécie de oração, e a partir do repensar seu interior, Flaira nos faz pensar no nosso. 

Interior.
Sombra. 
Cura.
Mantra.

Flaira chama atenção pelas composições, pelo sotaque lindíssimo,  por ter uma força interior que é emanada nas suas canções. Definitivamente uma fúria.

domingo, 19 de julho de 2020

Estrangeira de si mesma | Escritos

Imagem: Google
Leia ouvindo: Billy Joel - Vienna

Quando parti para morar em outro estado pensei que tinha me livrado de antigos sentimentos, pequenas memórias afetivas tão dolorosas quanto escrever esse texto e reviver todas elas. Lembrar o que um sono desregulado embalado de ansiedade pode me causar. É muito doido, porque se isso fosse há três anos, nunca escreveria esse texto em algum lugar público e se escrevesse em menos de uma semana tiraria do ar. Ter que lidar com os pequenos fantasmas do meu passado e ser estrangeira de (si) mesma, se tornou recorrente para a mulher que tem feito sua vida caber numa mala.

Tinha esquecido qual era a sensação de ter uma crise seguida da outra e de ficar entorpecida pelo sentimento de que não conheço os meus próprios sentimentos, que minhas palavras podem ser a própria armadilha para o que sinto. Nem sempre a literatura ou a escrita ali a espreita no meu diário azul possa me segurar nesse plano.

Algumas coisas por mais dolorosas do que possam ser ditas, cresceram comigo e estão aqui, se curando depois de muito anos pela leitura de um livro chamado As coisas que você só vê quando desacelera.
"Quando estiver pronto, reúna coragem e tome uma decisão. Embora seu coração não vá dar ouvidos a sua mente, decida perdoar e se livrar das amarras emocionais." pag.104, edição pocket. 
Ainda está bem dolorido as feridas que causei a mim mesma e uma hora ou outras elas voltam à tona, sem que eu sequer lembre que elas existiram. Acredito que encontrar aqueles diários antigos, textos mal-acabados em folhas de rascunho de cursinho e apostilas que se quer toquei, mas escrevi em cima de todas elas o que uma garotinha assustada de dezessete anos sentia, mudaram muita coisa por aqui. A minha versão de vinte e dois anos recém completos, já passou por outras situações mais pesadas, complexas e que nem longe a quebraram tanto quanto estranhamento daquele elo de jovem escritora (continuo jovem, mas sinto uma velha escrevendo isso, um dos meus velhos complexos) que odiava ter que assistir aquelas aulas de matemática, ter aulas de domingo à (domingo) sem um dia de paz para escrever e não ser mais estrangeira de si mesma.

O que me lembra o longa e o diretor que entrevistei para uma cadeira da Universidade, aquele filme veio num momento crucial. Numa cidade diferente com gente que honestamente me ensinou a como não tratar as pessoas e como não deixar que invadam seu espaço. Essa ferida cicatrizou, mas a lição ficou e que bom sabe. Estrangeiro, longa de Edson Lemos, me mostrou a lição que minha antiga psicóloga dizia sobre eu me comportar como uma mulher de 30 anos e não uma jovem de 19 anos, ainda existia. Toda vez que pontuo essa questão o mundo parece outro lugar ainda mais vulnerável, fui forçada a amadurecer tão cedo que quando me pego pensando em todas as crises pessoais, existenciais, ansiosas e pessoas se aproveitando da minha boa vontade, sentimentos de solidariedade e depois jogando eles contra mim de novo porque decidi  algo que não as agradasse.

É uma grande lição de si mesma, entender suas próprias contradições, seu passado e se abraçar com afeto. 

Ainda não aprendi como fazer isso direito, mas esse processo é bem doido, principalmente entender que ainda tenho resquícios de uma versão de mim que nem sempre foi a melhor possível, porém que sempre esteve disposta a aprender, mudar e buscar o melhor caminho para si mesma, só não tinha gente do lado que soubesse respeitar os seus processos, mas que bom que agora tem.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

El Juego De Las Llaves: Maite Perroni com o você nunca viu

Juego de las llavez ou Jogo das chaves é uma produção original da Amazon prime video. Trata-se de uma comédia sobre monogamia a longo prazo. Trazendo à tona assuntos como casamento, autorrealização e desejo, a série é ambientada na cidade do México.

A série é estrelada pela ex rbd Maite perroni, que interpreta Adriana, uma mulher que casou com seu primeiro namorado o Sérgio, Interpretado por Sebástian Zurita, com quem estudou na adolescência.

O show tem censura para maiores de 18 anos, então se você é menor de idade, ou um adulto que não gosta desse assunto, sugiro que não assista. Caso contrário, tire as crianças da sala, prepare um bom balde de pipoca aproveite para maratonar os dez episódios. Com aproximadamente 30 minutos de duração, a cada capítulo a narrativa consegue prender a atenção do telespectador, fazendo com que  não perca a vontade de avançar o próximo episódio de imediato.

Com certeza esse show foi um divisor de águas na vida de alguns atores, como, por exemplo da Maite Perroni, que carrega o estigma da "rbd apagada" do grupo. Nessa série ela vem com tudo, mostrando um outro lado de sua atuação, entregando as emoções que o personagem exige e conseguindo passar com destreza para o público. Com o Prime Vídeo adquirindo cada vez mais espaço entre os brasileiros, chegando perto de sua grande concorrente a Netflix, as séries e filmes originais da Amazon está vindo pra ficar e conquistando um público tão fiel quanto o do serviço de Streaming Netflix.


A produção foi renovada para uma segunda temporada e em 2019 venceu o prêmio da GQMÉXICO como melhor série do ano. O show é dirigido por Fernando Lebrija, Kenya Márquez e Javier Colinas. Ambos diretores já estiveram envolvidos na direção de filmes nacionais de sucesso no México.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Um passeio pela história do R&B | Playlist


Imagem: dribbble

O R&B emerge nos Estados Unidos por volta da década de 40, mas essa história tem começo em meados do sec 17 e sec 18, quando o então escravizado povo negro ecoava cantos nas plantações de algodão nos EUA. Essas canções são conhecidas hoje como "work- songs" Ou Cânticos de trabalho. 



A temática desses cânticos era sobre amor, saudade, trabalho e outros assuntos do dia-a-dia. No brasil um disco intitulado O canto dos escravos foi gravado em 1982 pelos sambistas Geraldo Filme, Clementina de Jesus e Tia Doca. O disco teve tal impacto que impulsionou o canto dos escravos mineiros do séc 18 na cena musical contemporânea.

Ao longo dos anos pudemos observar a evolução do R&B, que em alguns momentos mais precisamente entre os anos de 2007/2010 se tornou parte do pacote pop que era oferecido para os assíduos telespectadores da MTV brasil, sendo assim oferecido a massa de jovens que acompanhavam os programas que exibiam lançamentos e clipes com exclusividade. O que contribuía para uma massificação do consumo e procura pelo artista e a musica em questão o levando as paradas de sucesso. Um dos grandes nomes que liderou as paradas do sucesso do mundo no ano de 2009 foi Alicia Keys. Uma das grandes promissora do r&b na década passada as artista estourou os charts da billboard com suas músicas.


Confira:
Alicia Keys - No one 2009

Com o passar dos anos o gênero se destacou na industria musical dessa vez não mais sendo vendido para uma massa que consumia tudo que lhe era oferecido com a etiqueta de popmusic. É bem verdade que o r&b se popularizou nos últimos cinco anos com a chegada dos serviços de Streaming musical e a facilidade para conhecer artistas do gênero não tão populares, se bem que dentro desse seguimento os artistas são bastante popular e fazem sucesso nas plataformas. O gênero é muito forte nos estados unidos, uma vez que surgiu lá, e com a popularização do movimento e cultura do povo negro nos últimos anos artistas jovem vem ganhando e conquistando espaço no meio musical por meio do R&B. No brasil os artistas estadunidenses são os mais populares. Nomes como The Weeknd. H.E.R. Frank Ocean e Jacquees. Estão entre os artistas mais acessados do gênero no spotify. Embora a busca por artistas de fora ser grande o ritmo está em ascensão no brasil e há artistas brasileiros fazendo um trabalho incrível nesse espaço. São jovens talentosos que além de carregar a bagagem da influência do berço do R&B, carregam a influencia de grandes mestres da musica brasileira e oferecem pro amante do gênero musical um r&b diferente, carregado de historia e identificação. Conheça alguns dos jovens nomes do R&B brasileiro

Ororo & Jovem Ralph - Toque do Celular 

DOUG - proposta

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Summer Walker: Over it, uma estréia feminina histórica | Playlist

Imagem: Reprodução/ divulgação capa do álbum

Summer Walker e lançou sua primeira mix tape comercial  Last Day of Summer  em outubro de 2018, apoiada em seu single principal 'Girls need love', a Mix tape conta com doze musicas incluindo um remix de Girls Need love com participação do rapper Drake. As musicas cantadas por Summer nessa mix tape retratam  seus pensamentos sobre o amor, duvidas e sua feminilidade. No final de 2018 saiu em tour com 6LACK na turnê  From East Atlanta With Love


O sucesso de Walker chamou a atenção da Apple Music, que  nomeou Summer Walker como sua mais nova artista Up Next e em 2019 a cantora se tornou a oitava artista do gênero R&B mais escutada ao redor do mundo na Apple Music. A cantora e compositora de 24 anos lançou Playing Games dia 23 de outubro de 2019, primeiro single de  seu álbum de estréia Over It. Mais tarde em 04 de outubro de 2019, lançou seu primeiro álbum na íntegra, sendo muito elogiado pela crítica. 


Imagem: Billboard


Summer Walker é  com certeza um grande destaque no R&B contemporâneo. As letras são em sua maioria românticas, ela canta muito sobre amor e a sensualidade está sempre presente em suas composições e melodias. Uma das compositoras de playing games primeiro single da artista é a cantora Beyoncé. Walker é uma iniciante no mundo da musica, mas isso não a faz menos prestigiada, muito pelo contrário. Seu álbum de estreia debutou em segundo lugar  na parada da Bilboard200. Com 134.000 cópias vendidas do em sua primeira semana de estréia.


 A cantora  fez história quando com o lançamento de Over It ganhou a maior estreia de streaming de todos os tempos para uma artista. Um feito até então inédito para uma artista  feminina de R&B. Walker também foi o vencedora do prêmio de   BET  'Melhor Novo Artista' no Soul train music awards de 2019.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Onisciente: uma série de ficção cientifica retratada no Brasil | Viciadas em Séries

Imagem: bronisciente.
Sinopse: No futuro, cidades são monitoradas por drones 24 horas por dia. Uma jovem descobre um assassinato que não foi relatado pelo sistema de segurança Onisciente, e decide, então, descobrir o que estão tentando acobertar. Do mesmo criador da série “3%”, Pedro Aguilera, também produção brasileira e original Netflix. A série traz Carla Salle como protagonista ao lado de nomes como Jonathan Haagensen e Marcelo Airoldi. Foi lançada dia 29 de janeiro de 2020.


É impossível ler a sinopse da série e não pensar em Black Mirror versão brasileira, confesso que fiquei apreensiva para assisti-la por causa do meu complexo de vira lata, mas logo no primeiro episódio a trama me segurou até o ultimo. Antes de tudo, eu sei que a Carla Salle não tem expressão, eu prometo que a atuação dos coadjuvantes fez a série valer a pena.

O roteiro é uma mistura de ficção científica com uma ponta de suspense causado por um mistério que ronda a trama. Fala sério, uma sci-fi ultratecnológica no Brasil é muito boa. Foi ótimo ver que nosso país também tem suporte para progredir mesmo que seja na ficção, não quero bacuralizar, mas foi ótimo assistir um futuro utópico tecnológico se passando nas ruas do Rio de Janeiro. Na trama, a cidade palco dos personagens é monitorada por um sistema de segurança chamado “Onisciente”. A premissa é a vigilância constante de todos os habitantes através de um drone que acompanha os indivíduos 24 horas por dia. O que torna tudo isso legal? Todas as gravações são analisadas em tempo real por um computador central, fazendo-se desnecessário a vigilância ou avaliação de humanos.

Imagem: BR 104

Confie, a história é bem mais complexa do que parece e o enredo é totalmente coeso, amarradinho e sem furos. Você não vai se arrepender de dar uma chance para essa série brasileira. Caso se arrependa, atualmente só tem uma temporada ainda com 6 episódios. Vale a pena arriscar.

Assista o trailer oficial.