quarta-feira, 26 de junho de 2019

Coisas da geração por Lagum | Playlist

Imagem: Reprodução/ divulgação

A banda Lagum, lançou seu segundo álbum intitulado Coisas da geração. O disco é um manifesto sobre os problemas dessa geração, como lidamos com sentimentos e sobre como deixamos tudo o que acontece ao nosso redor nos afetar. A ideia da construção da identidade do álbum é incrível, tudo que foi descrito nas letras das canções é de fato coisa da geração atual. O óbvio também precisa ser dito, o manifesto compartilhado através das dessas melodias gera muito mais que uma identificação, gera compreensão, empatia e cria uma atmosfera segura para jovens ansiosos e perdidos.


O contraste entre fases é marcante nas canções, mas a construção da identidade musical enquanto banda nesse novo disco é muito grande. Desde Andar sozinho que é parceira com o Jão, deu para observar que apesar de continuar na mesma atmosfera musical, muita coisa ia mudar nesse long-play justamente para marcar a nova identidade comercial deles também. Afinal, música também é feita para fins comercias e isso pesa na construção para qualquer banda comercial. Eles assinaram um contrato com a Sony Music no final de 2018 e lançaram Bem maior que foi um single de sucesso, assim todas músicas lançadas posteriormente. 
Imagem: Redes Sociais/Facebook

A banda desde que começou a ter um espaço no mercado musical me trouxe a sensação que veio para ocupar definitivamente um espaço na música brasileira, ainda é possível observar outras produções muitas boas e de artistas que não são tão mercadológicos como Jaloo, Mc Tha, Zimbra, dentre outros. Mas desde Scracho e Forfun que com certeza influenciaram muito na construção de identidade melodiosa do Lagum, não se observava bandas que passassem pela mesma atmosfera e estivessem em evidência. Todas as referências de bandas antigas são bem perceptíveis no som dos caras de BH, porém com um toque de originalidade genial e diferente do estava em evidência  nos últimos quatro anos.

O disco conta com quatorze faixas sendo uma delas em parceria com o Jão, algumas são bem dançantes e outras bem leves, típicas canções de fim de tarde. Com certeza um disco de sucesso, um marco na carreira da banda que só tende a evoluir, ganhar mais espaço e fãs. 

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Aladdin | Manteiga de cinema


Com estréia superestimada Aladdin supera a bilheteria da animação em pouco mais de duas semanas nos Estados Unidos e em contagem mundial. Um dos filmes mais esperados para esse ano e um dos mais criticados antes mesmo de ir ao cinema só pelo elenco e revelação de teaser. 

Aladdin é uma das adaptações mais antigas da disney e causou um certo desconforto ao público quando foi lançado recentemente. As críticas tecidas a live action giraram em torno especialmente da ausência de uma Jasmine que fosse descendente árabe de fato, já que a atriz é britânica. Numa época onde a representatividade é pautada em diversos espaços faz-se de suma importância que surjam essas discussões, pois apesar de em recursos técnicos, roteiro e musicalidade excelente a representatividade cultural foi deixada em segundo plano nesse momento. E, ainda é preciso culturalmente falando produzir representações e espaços de pertencimento respeitosos ao povo Árabe. Nesse sentido, é possível observar várias alterações feitas no filme para retirar essa visão etnocêntrica reproduzida no desenho.


Apesar das críticas a personagem, a Naomi Scott que interpreta a princesa, é uma atriz, cantora e dançarina extremamente brilhante que já mostrou a beleza de sua voz em outro filme da disney o Lemonade Mouth. Ela resgatou a essência da personagem na animação em sua bela interpretação, mas também criou uma nova narrativa de força levando em consideração ao contexto político atual, onde a personagem anseia pelo poder e ocupar o lugar de seu pai como sultana e enfim deixar de ser silenciada. Todas as alterações feitas fazem em Aladdin constroem não só uma live action, mas uma releitura da história de um ângulo mais justo especialmente para Jasmine que deixa de se preocupar apenas com o homem e mostra a crescente necessidade de personagens femininas fortes e que passem no teste de bechdel.
O Mena Massoud que interpreta o Aladdin consegue ter todo o charme e irreverência dos desenhos em sua atuação. E a nova versão é ainda mais musical do que a original e com interpretações musicais belíssimas, mas não gostei muito de suas versões em português. Não consegui conectar as canções como nas da animação, não senti um certo pertencimento nelas em seus momentos no filme dublado. Já em inglês a Naomi brilhantemente interpreta Speechless em português Ninguém me cala interpretada pela Isabela Souza não ficou tão boa assim, mas acredito que seja pela tradução em inglês muita coisa quando é traduzida parece perder o sentindo no português pela diferença na construção das frases e na musicalidade. Já Um mundo ideal interpretada pela banda Melim ficou linda demais e ainda mais graciosa em português na voz do trio. 

Wil Smith foi perfeito em sua interpretação como gênio, é impressionante a capacidade interpretativa dele de se adaptar a qualquer papel e fazer com ele fique em destaque ainda que em segundo plano na história. Toda as críticas antes do filme ao seu papel tiveram uma repaginada, pois a essência do desenho está intacta na interpretação do autor e arrisco dizer que redesenhada assim como boa parte da narrativa do filme. E também a Dália (Nasim Pedrad) que surgiu como um alivio cômico e que teve mais destaque na trama e a amarração feita no inicio do filme em sua história que é enlaçada pelo final da trama.