domingo, 22 de dezembro de 2019

O tempo para uma ansiosa | Escritos

Imagem: Pinterest
Este texto pode conter gatilhos para ansiosos.*

Leia ouvindo: Mistério - Anavitória

É estranho para mim uma pessoa ansiosa acreditar ou esperar que o tempo resolva tudo. 

Quando minha mãe me dizia que crescer levava tempo e que deveria aproveitar o meu sendo criança, não entendia muito bem o que ela queria dizer. Tem uma música do EP, Anavitória canta para pessoas pequenas, grandes e não pessoas também que particularmente é minha favorita, mistério, é nome da canção e numa das estrofes diz "Quem é que fez o tempo ter lugar lá dentro do relógio? Dá pra poder calcular talvez, o quanto deve demorar" olhando para o passado, pensando em todas as vezes que vovó me disse que devia confiar no tempo que ele era o melhor remédio para tudo. E, assim mesmo sem saber que era exatamente aquilo que precisa ouvir, percebi que minha relação com o tempo e a sensação que ele escapa entre meus dedos vem da minha falta de paciência em respeitar o meu próprio tempo.

Atropelar minhas ações é claramente minha sina nesta vida. Tanto pela falta de paciência comigo mesma como pela minha constante necessidade de estar em movimento. Uma vez uma pessoa me disse que eu era como água, mutável e que escorria pelos dedos. Na hora eu sorri e achei uma comparação engraçada, mas depois de uma sessão de terapia no começo do meu tratamento com ansiedade minha psicóloga disse que teve a mesma sensação assim que conversamos nas primeiras sessões. 

É uma concepção diferente do que estava acostuma ouvir de mim mesma, mas que foi de suma importância naquele momento. Em 2018 entrei numa espiral maluca de descobrir quem eu era achando que sabia, uma parte de mim tinha ficado no meio do caminho, outra tinha se confundido pela ansiedade e as certezas sobre mim viraram uma bola de neve de dúvidas. Provavelmente a fase mais difícil que já vivi nessas transições pessoais.

Reconhecer que não conseguia mais sozinha lidar com aquelas sensações veio depois de uma das minhas crises mais intensas. Foi um mês difícil, não conseguia mais resolver as coisas mais básicas e o que sentia era uma bomba relógio no meu peito prestes a explodir no meu peito. Quando ela explodiu me partiu ao meio e parte de mim acredita que talvez nunca mais eu seja a mesma. E ainda bem por isso, aprendi tanta coisa sobre mim com isso e conheci a minha versão mais forte de mim mesma.  E a que não é tão forte assim, mas que aprender que está tudo bem em sentar e chorar quando tudo parece um bagunça já que as soluções não caem do céu. 

Esse ano foi uma ladeira de autoconhecimento, dolorosa, árdua e muito gostosa também. Várias coisas perderam o sentido no meio do caminho, mas outras tomaram um rumo inesperado, encerraram um ciclo e principalmente me mostraram a pessoa que quero ser ou que estava prestes a me tornar quando ninguém estava olhando.  

domingo, 18 de agosto de 2019

O mais difícil de seguir, é seguir | Escritos

Imagem: Pinterest


Encontrar um outro caminho foi fácil já que larguei um estado e vim morar em outro, mas ninguém me disse como seria doloroso redesenhar uma rotina não tivesse mais nós dois. E que nos domingos não íamos compartilhas nossas desavenças quando tivéssemos uma semana complicada sem poder nos ver, só sentar e conversar ou quem sabe apreciar a vista da praia do calçadão com os dedinhos entrelaçados e sorrisos leves de fim de tarde.   

Os domingos por aqui são frios e enrolados num edredom compartilhando minha rinite com meu livro inacabado no docs. Essa cidade não é quente como a nossa, o inverno aqui é sombrio, mas também pode ser acolhedor se estiver cercada das pessoas certas. Mas como seguir quando a gente nem tomou um rumo de fato? Eu tenho tantas dúvidas que achava que tinham se tornado certezas antes vir pra cá. Todo dia aprendo uma lição nova sobre mim mesma que achei já ter aprendido. Sempre ocupo a mente com coisas novas, escrevo, danço, brinco, beijo, abraço e às vezes a bad bate e olha é complicado confortá-la sabe? Não tanto quanto a saudade, pois quando releio em silêncios textos que escrevi nas notas do celular e que nunca vou te mostrar afinal não costumo compartilhar minha escrita com quem compartilho afetos é pedaço de mim profundo demais para se mostrar assim fácil. 

Nem sempre ela é leve ou explicativa, porém é sempre cheia de significado e nem todo mundo sabe compreender as entrelinhas, pois a maioria das pessoas está mais preocupada em descobrir para quem escrevi essas linhas. O que é engraçado nunca nego para quem escrevo, mas também nunca revelo sobre quem exatamente estou falando. A beleza de compartilhar certos versos que literalmente saem de dentro de mim é não encontrar um destinatário. Nem tudo precisa de um remetente com destino fixo, as vezes é só mais um texto e só mais sentimento que vai perdendo o sentido ao longo do tempo. 

A escrita sempre ocupa os espaços vazios da nossa rotina assim como os amigos conquistam espaços no meu dia a dia e vou deixando tudo fluir encontrando um novo lar para mim.

O mais difícil de seguir, não é seguir, mas te observar daqui.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Coisas da geração por Lagum | Playlist

Imagem: Reprodução/ divulgação

A banda Lagum, lançou seu segundo álbum intitulado Coisas da geração. O disco é um manifesto sobre os problemas dessa geração, como lidamos com sentimentos e sobre como deixamos tudo o que acontece ao nosso redor nos afetar. A ideia da construção da identidade do álbum é incrível, tudo que foi descrito nas letras das canções é de fato coisa da geração atual. O óbvio também precisa ser dito, o manifesto compartilhado através das dessas melodias gera muito mais que uma identificação, gera compreensão, empatia e cria uma atmosfera segura para jovens ansiosos e perdidos.


O contraste entre fases é marcante nas canções, mas a construção da identidade musical enquanto banda nesse novo disco é muito grande. Desde Andar sozinho que é parceira com o Jão, deu para observar que apesar de continuar na mesma atmosfera musical, muita coisa ia mudar nesse long-play justamente para marcar a nova identidade comercial deles também. Afinal, música também é feita para fins comercias e isso pesa na construção para qualquer banda comercial. Eles assinaram um contrato com a Sony Music no final de 2018 e lançaram Bem maior que foi um single de sucesso, assim todas músicas lançadas posteriormente. 
Imagem: Redes Sociais/Facebook

A banda desde que começou a ter um espaço no mercado musical me trouxe a sensação que veio para ocupar definitivamente um espaço na música brasileira, ainda é possível observar outras produções muitas boas e de artistas que não são tão mercadológicos como Jaloo, Mc Tha, Zimbra, dentre outros. Mas desde Scracho e Forfun que com certeza influenciaram muito na construção de identidade melodiosa do Lagum, não se observava bandas que passassem pela mesma atmosfera e estivessem em evidência. Todas as referências de bandas antigas são bem perceptíveis no som dos caras de BH, porém com um toque de originalidade genial e diferente do estava em evidência  nos últimos quatro anos.

O disco conta com quatorze faixas sendo uma delas em parceria com o Jão, algumas são bem dançantes e outras bem leves, típicas canções de fim de tarde. Com certeza um disco de sucesso, um marco na carreira da banda que só tende a evoluir, ganhar mais espaço e fãs. 

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Aladdin | Manteiga de cinema


Com estréia superestimada Aladdin supera a bilheteria da animação em pouco mais de duas semanas nos Estados Unidos e em contagem mundial. Um dos filmes mais esperados para esse ano e um dos mais criticados antes mesmo de ir ao cinema só pelo elenco e revelação de teaser. 

Aladdin é uma das adaptações mais antigas da disney e causou um certo desconforto ao público quando foi lançado recentemente. As críticas tecidas a live action giraram em torno especialmente da ausência de uma Jasmine que fosse descendente árabe de fato, já que a atriz é britânica. Numa época onde a representatividade é pautada em diversos espaços faz-se de suma importância que surjam essas discussões, pois apesar de em recursos técnicos, roteiro e musicalidade excelente a representatividade cultural foi deixada em segundo plano nesse momento. E, ainda é preciso culturalmente falando produzir representações e espaços de pertencimento respeitosos ao povo Árabe. Nesse sentido, é possível observar várias alterações feitas no filme para retirar essa visão etnocêntrica reproduzida no desenho.


Apesar das críticas a personagem, a Naomi Scott que interpreta a princesa, é uma atriz, cantora e dançarina extremamente brilhante que já mostrou a beleza de sua voz em outro filme da disney o Lemonade Mouth. Ela resgatou a essência da personagem na animação em sua bela interpretação, mas também criou uma nova narrativa de força levando em consideração ao contexto político atual, onde a personagem anseia pelo poder e ocupar o lugar de seu pai como sultana e enfim deixar de ser silenciada. Todas as alterações feitas fazem em Aladdin constroem não só uma live action, mas uma releitura da história de um ângulo mais justo especialmente para Jasmine que deixa de se preocupar apenas com o homem e mostra a crescente necessidade de personagens femininas fortes e que passem no teste de bechdel.
O Mena Massoud que interpreta o Aladdin consegue ter todo o charme e irreverência dos desenhos em sua atuação. E a nova versão é ainda mais musical do que a original e com interpretações musicais belíssimas, mas não gostei muito de suas versões em português. Não consegui conectar as canções como nas da animação, não senti um certo pertencimento nelas em seus momentos no filme dublado. Já em inglês a Naomi brilhantemente interpreta Speechless em português Ninguém me cala interpretada pela Isabela Souza não ficou tão boa assim, mas acredito que seja pela tradução em inglês muita coisa quando é traduzida parece perder o sentindo no português pela diferença na construção das frases e na musicalidade. Já Um mundo ideal interpretada pela banda Melim ficou linda demais e ainda mais graciosa em português na voz do trio. 

Wil Smith foi perfeito em sua interpretação como gênio, é impressionante a capacidade interpretativa dele de se adaptar a qualquer papel e fazer com ele fique em destaque ainda que em segundo plano na história. Toda as críticas antes do filme ao seu papel tiveram uma repaginada, pois a essência do desenho está intacta na interpretação do autor e arrisco dizer que redesenhada assim como boa parte da narrativa do filme. E também a Dália (Nasim Pedrad) que surgiu como um alivio cômico e que teve mais destaque na trama e a amarração feita no inicio do filme em sua história que é enlaçada pelo final da trama.

sábado, 4 de maio de 2019

Good Trouble é renovada para segunda temporada | Viciada em séries

Imagem: Reprodução, divulgação.

Good Trouble é um spin-off de The Fosters, que foi anunciado logo após o final da série. Nele acompanhamos a vida das irmãs Callie e Mariana Adams Foster após terem se formado na faculdade e se mudado para Los Angeles. O primeiro episódio capta uma atmosfera visual e sonora parecida com a série originária do spin, mas logo é descartado no desenrolar da trama. Apesar de derivada a série não é um continuação, mas sim um extensão e que carrega a mesma veia política e social em seu enredo. Temas como: racismo, sexismo, mulheres dentro do mercado de trabalho de TI, artes, advocacia, LGBTQ+ dentre outros são os temas centrais e mais discutidos ao longo da série.




Contando com doze episódios e uma sonoplastia impecável acompanhada da bela fotografa de Los Angeles. A trama se desenrola sem muita dificuldade e contando com a presença de personagens da série principal em alguns momentos. Particularmente pelos teasers divulgados antes da estréia não tinha apostado que a trama fosse contar com uma produção e roteiro tão bons, pois dificilmente séries derivadas tem uma produção boa de fato. Normalmente elas não passam de muitas temporadas ou logo são canceladas, porém devido ao sucesso a segunda temporada já está programada para junho deste ano.

Trilha sonora da série:

terça-feira, 30 de abril de 2019

A responsabilidade de cuidar só de mim | Escritos


Cada vez que vou e volto ao Recife sinto que uma parte de mim fica. Dessa vez, é como se alguém tivesse arrancando minhas raízes e já não faço mais parte da cidade que tanto amo. Cresci aqui, chorei nos ônibus dessa cidade (no metrô também), vive amores e alguns desamores também (talvez mais desamores). A cada pôr do sol me sentia mais em casa, mas dessa vez quando sol se pôs senti que já não faço mais parte daqui.

É doloroso ir embora, e a cada despedida uma parte de mim se esvai mais. Não quis festa, nem quis que me trouxessem na rodoviária da primeira vez, ninguém além do meu melhor amigo de infância. Isso causou uma estranheza geral, mas sou uma manteiga derretida o primeiro amigo chorando ia dizer: eu fico. Conheço meus limites e não vão muito além do que gostaria.

Sair da casa dos meus pais vem sendo a experiência mais louca da minha vida. Todo dia é uma surpresa nova, na maioria das vezes não é algo muito positivo. Mas foi bom e importante dar de cara na porta em alguns momentos. Sempre me julgaram muito madura pra minha idade, porém minha psicóloga me disse uma vez que não tinha aprendido a viver conforme a minha idade pelas responsabilidades que me foram concedidas enquanto nova. Essa coisa de "ah, mas a mulher amadurece mais rápido que o homem" tudo uma baboseira, mulheres são sexualizadas mais cedo e é essa a desculpa que um bando de homens usam para dizer "fecha as pernas" "ai mas você é tão novinha para ter esse corpo de mulher" "ah mas ela tinha cabeça de mulher".

Crescer para fora de um estereótipo machista cujo só estava destinada a "dar trabalho ao meu pai" me frustrou em diversas partes da minha vida, que só enxerguei agora caminhando para a vida adulta. Agradeço muito pela oportunidade e reconheço todos os meus privilégios em poder largar uma bolsa numa faculdade particular e ir cursar uma pública com pais que abraçaram o meu sonho como se fosse deles e trabalham muito para que possa se tornar real.

Só que ainda é tão complicado entender que agora sou apenas responsável por mim mesma e nada mais. 

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Verniz terceiro álbum da banda Zimbra tem um milhão de plays | Playlist

Na última sexta, 05, a banda Zimbra @bandazimbra, lançou seu terceiro álbum intitulado Verniz. Eles fizeram uma brincadeira para interagir com os fãs nas redes sociais antes do lançamento para descobrir o nome do disco com premiação ao vencedor. Nomes como Dinho Ouro Preto e Esteban Tavares fizeram participações nas faixas Céu de Azar e Quem Diria. O grupo é de Santos - SP, terra do cantor Alexandre Magno que foi vocalista do Charlie Brown Júnior, que tem influência na identidade musical da banda.  Apesar de ter diversas influências de outras bandas de rock nacional, o som dos caras de Santos é muito original. Letras melancólicas, mas também realistas e extremamente sensíveis. 

Bola (@bolazimbra), o vocalista e um dos responsáveis pelas letras sempre compõe sobre situações o cotidiano, dando um tom muito pessoal a suas letras, por mais que as histórias não sejam suas, a maneira como ele as dá voz tem uma sintonia muito particular com suas melodias, é incrível e pouco encontrada no cenário de música brasileiro atual, que está mais preocupado em produzir ritmos genéricos feitos apenas para vender e fazer sucesso.
O álbum atingiu um milhão de plays no dia que foi lançado e teve um recepção muito mais positiva ao contrário do azul disco que o antecedeu. Seu show de lançamento ocorreu em São Paulo no sábado passado dia 13, no Teatro Marz e contou com a casa cheia. Além disso, a banda também entrou em turnê e contando com sua mais longa viagem com shows pela estrada até agora.






A identidade musical do Zimbra só cresceu ainda mais nessas faixas novas, os trompetes muito particulares nas melodias que se encaixam em momentos muito específicos das canções vem desde O tudo, o nada e o mundo primeiro disco da banda. Com dez faixas,Verniz se destaca na cena brasileira de música e consagra um novo rumo na carreira de banda independente.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Crítica sobre o filme “Us” (Nós)



Estamos em 2019 e ainda há falhas em representação nos filmes, tanto no elenco quanto na equipe. Jordan Peele aparece entre alguns diretores para quebrar o paradigma de filmes com personagens brancos como protagonistas.

 Diretor de “Get out” e agora de “Us”, Peel apresenta um thriller psicológico contando a história de Adelaide (Lupita Nyong’o) que passou por uma experiência traumática na infância. Nos dias atuais, ela e a família estão viajando e se encontram com os amigos no local em que sofreu o trauma. A atmosfera não é confortável e estranhos acontecimentos ocorrem quando uma família quase idêntica a eles (com suas peculiaridades) aparecem na frente da casa em que eles estão.

Com um forte elenco escolhido, as atuações estão impecáveis. A trilha sonora cria um ambiente perturbador e sombrio que prende a atenção. Ao longo do filme aparecem alívios cômicos para equilibrar o clima. São plantadas diversas metáforas e detalhes que são importantes para a história ser construída.

*Essa parte contém pontos importantes da trama, mas sem grandes spoilers.*

Entre várias teorias criadas para o filme, a desigualdade e exclusão social são apresentadas. Em uma das cenas, é perguntado para os doppelgängers quem eles são.

 A pessoa principal do grupo responde que são americanos. É possível conectar essa frase em questão politica quando os clones fazem uma corrente humana no país nos remetendo ao muro com o intuito de separar os Estados Unidos dos outros países; além de pensar que o nome do filme é “us”, sigla de United States. É mostrado “Jeremias 11:11” escrito em um cartaz que significa: “Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei.” A realidade dos doppelgängers é viver no subterrâneo com condições escassas. Eles são oprimidos, excluídos e negligenciados. Enquanto as pessoas que vivem na superfície têm oportunidades e condições de vida.

O filme está em cartaz nas salas de cinema. Se você está curioso para assistir ou já viu, comenta aqui suas expectativas ou sua opinião sobre o filme.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Desconectada de mim | Escritos

Foto: Tumblr

Toda vez que as palavras fogem de mim, me desconecto de mim mesma. É incrível como a escrita me salva dos acúmulos dentro do peito e das minhas crises mais horríveis. Agora escrevendo isso eu até posso sentir uma dessas vindo, mas a cada palavra escrita é como se doesse menos. É muito difícil levantar todo dia, saber que tem uma vida toda pela frente quando quem se ama foi embora e não vai voltar mais. A vida é um sopro e cada dia que passa fico mais certa disso. Me mudei para uma cidade nova e apesar de levantar todo dia para ir a aula, anotar assuntos, responder perguntas, conversar e interagir sinto que parte de mim ainda fica adormecendo todo dia na minha cama. É como se não conseguisse mais vivenciar a mesma experiência de quando vim nas primeiras semanas antes do carnaval.

Alternar entre dor e tristeza profunda é um dos tantos estágios do luto. Apesar de a saudade me castigar todo dia ainda não parece que minha amiga se foi. Vejo nossas fotos, releio meu texto de despedida, olho para a pontinha da agulha no meu braço do dia em que doei sangue e ainda não parece real. Prometi que sua memória e legado enquanto pessoa viveriam comigo, Nicole, o vestibular solidário e todas as nossas amigas. Ainda leio suas mensagens no grupo às vezes, mas queria era ter coragem para escutar um de seus áudios sem ficar em prantos. Seu aniversário está se aproximando e sei que nesse dia levantar da cama e viver sem ti vai doer mais que o de costume.

Me apoiar na escrita era meu refúgio, mas nem isso tem me ajudado muito já que escrever se tornou uma tarefa quase impossível com o bloqueio. As leituras andam bagunçadas, a vida tento organizar um pouco todo dia, o coração parece mais leve num dia e no outro pesa de saudade de ti, meu cachorro, meus livros, meus pais, minha avó e os meu amigos. As noites aqui são frias e não tão quentes como em Recife o que faz com que me enrole no meu edredom e não queira sair de lá no dia seguinte, mas saio sabe. Me arrasto até o banheiro, escovo os dentes, visto uma roupa e calço um sapato. Sei que odiaria que me afundasse na ansiedade ou nos meus complexos internos e deixasse de viver. Por isso acordo, penso na sua força e até peço um pouco dela emprestada e assim vou viver.

Só viver.
Leve, devagar e uma coisa de cada vez.
Num ritmo menos Andresa de ser que estava sempre ligada no duzentos e vinte, mas aos poucos vou recobrando os sentidos a confiança em mim mesma, nas palavras e no que planejei viver aqui nessa cidade.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Sex education é tudo isso mesmo? | Viciada em séries


É sim e mais um pouco. A série foi lançada recentemente pela Netflix e foi um sucesso repercutindo bastante nas redes sociais, especialmente no twitter. Lançada em janeiro e já temos notícias de uma renovação devido ao seu sucesso no serviço de streaming.  A série ilustra a história de Otis Milburn (Asa Butterfield) um adolescente comum e tímido que vive com sua mãe que é terapeuta sexual. Mesmo sendo um garoto virgem ele sabe muito sobre sexo, devido a profissão de sua mãe e as conversas ao longo de seu crescimento. Junto com sua colega Maeve (Emma Mackey) eles decidem montar um clínica de saúde sexual para ajudar os seus colegas da escola.

A dinâmica entre os personagens e série é fantástica, o roteiro é sem duvidas maravilhoso e muito bem elaborado. A produção conta com muitas mulheres envolvidas o que é extremamente importante no mercado audiovisual, pois ainda existem muitos tabus a serem quebrados e a maioria dos nomes de sucesso de produtores, executivos e roteiristas é masculina. Contando com várias referências a cultura pop, várias discussões especialmente sobre corpo em especial o corpo da mulher no episódio seis da série fiquei arrepiada e abri a internet na mesma hora para procurar o nome da roteirista, pois uma cena incrível daquelas só poderia ter sido escrita por uma mulher. 

Sex education é cheia de clichês sim, mas todos são tão bem representados e ilustrados de forma tão natural que alguns passam até despercebidos. Sem dúvidas é uma série adolescente, porém feita para adultos, pois contém várias cenas de sexo explícito. Então verifique a classificação indicativa no site da netflix. Problemas sexuais na adolescência é mais comum do que imaginamos, pois falar de sexo ainda é um tabu muito grande especialmente para mulheres, pois não existe um estímulo para que se conheça o próprio corpo, não debatido nas escolas e muitos pais acham um problema discutir educação sexual nas escolas. O que é um equívoco, pois esconder sexo de adolescentes não vai fazer com que eles não façam, mas vai ocasionar em DSTS, gravidez indesejada, abortos clandestinos e etc.

Uma das discussões que mais me tocou foi a sobre aborto. Em um determinado episódio uma personagem vai a uma clínica segura e legalizada abortar. Especialmente no brasil, falar disso ainda é um problema devido a o governo conservador que se instaurou em 2019 e toda essa onda de conservadorismo excarcerada. Parece surreal para nossa realidade e fanatismo religioso isso acontecer, mas aquela cena gerou diversas discussões importantes na internet e entre outras mulheres.
Outro ponto a ser ressaltado é a questão da representatividade, pois é raro encontrar em filmes e séries para o público jovem. Existem personagens negros relevantes que não são postos como figuras de vilões o que é bem comum na cultura pop num geral, mas que vem mudando aos poucos. 
Também existe uma forte discussão sobre violência, sexualidade e religião. Uma das cenas mais incríveis para mim foi uma que o Erick foi a igreja com seus pais e em momento houve algum tipo de repreensão a respeito de sua sexualidade pelo contrário aquilo o deixou mais leve para ser ele mesmo e com vontade de ir ao baile. Existem milhares de razões para recomendar essa série, mas a principal é seu enredo envolvente e as discussões extremamente necessárias. Sex education é mais que um clichê adolescente foi a necessidade de um conteúdo adolescente clichê, mas responsável de qualidade.

TEDx Favoritos #02 | Blogosfera

O mundo sob a perspectiva da criança | Isabela Minatel - Nunca tive o sonho de ser mãe, mas sempre pensei que fosse seria através de adoção. As mães que leem este site gostaria de indicar esse TEDx sobre as dificuldades de criar um filho, especialmente de entendê-lo e respeitar suas escolhas. Sempre achamos importante estudar para ser médico, jornalista ou para um vestibular qualquer que seja, mas nunca para ser pais. E ao contrário do que dizem que toda mulher nasceu para ser mãe isso é a opinião mais equivocada que existe. Algumas nunca sonharam com isso e também não sabem por onde começar. De acordo com o patriarcado criar os filhos é uma tarefa exclusivamente feminina, o que faz com os homens deleguem essa função exclusivamente as mulheres o que além de errado é uma postura retrógrada e sem sentido.


A forma como você encara um momento pode mudar tudo | Paola Antonini - Paola é uma influenciadora digital que sofreu um acidente bem grave que resulta na perda de uma suas pernas na batida do caro. Esse vídeo me fez questionar como às vezes a minha perspectiva diante da situação transformei pequenos problemas em grandes situações complicadas e de como eu podia mudar tudo isso de agora em diante. Antes que alguém comente algo do tipo "ah e tem gente que não da valor a própria vida e blá blá blá" não existe competição de sofrimento. A gente pode sim escolher como vamos reagir a determinadas situações, mas é preciso antes disso reconhecer os seus privilégios que são responsáveis por como você pode reagir.


 A escalada dos vulneráveis | Ruth Manus - Ruth é advogada, professora universitária e escritora. A escala do vulneráveis me fez refletir sobre minha trajetória e de como tenho enxergado ao lado dos anos. Realização e sucesso são coisas diferentes, mas na maior parte do tempo nos prendemos a segunda na falsa ilusão de que isso vai nos trazer felicidade. Nessa palestra ela lista as dificuldades de ascensão social das minorias do mercado de trabalho, especialmente da sua trajetória enquanto mulher no campo do direito e mercado de trabalho.



O que é o amor ? | Ique Carvalho - Esse é provavelmente um dos vídeos que mais chorei na minha vida. Ique é escritor, publicitário e dono do antigo blog The love Code. Nesse vídeo ele fala muito sobre amor e família. O que é de fato esse sentimento para ele e como se manisfesta usando suas experiências pessoais. Após o fim de um relacionamento, seu pai recebeu o diagnóstico que estava com uma doença rara e a partir desse dia sua vida tomou um novo rumo. Em 2014, ele publicou seu primeiro livro Faça amor, não faça jogo que foi um Best Seller nacional.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Uma nova história de amor | Escritos



Leia ouvindo: Casa - Nina Fernandes 

Eu quero viver uma história de amor de novo.

Dessas clichês e bonitas, sentir o frio na barriga, sorrir para para olhos que soem familiares e transmitam aquela sensação de segurança e instabilidade que só os bons romances trazem. Beijar até sentir os lábios dormentes deixar que os corpos se toquem com aquela familiaridade única e envolvente. 

Criar uma nova história sem trazer traços do passado. Escrever com alguém uma história única ou um conto irreverente de uma despedida que acabou em um hospital. Sorrir e encarar o futuro com um gostinho de quero mais misturado com o dia ainda vamos rir de tudo isso. Sei lá, eu só quero viver sabe? Tenho escrito tantos romances, mas tenho escrito coisas demais e vivido de menos. Em parte sei que é pelo medo de me jogar no desconhecido, confiar em alguém e quebrar a cara com gosto.

Mas não dá pra viver com medo, nem achando que toda e qualquer pessoa que entre na minha vida esteja determinada a me ferir. Um dos meus escritores favoritos escreveu" que não dá pra escolher se vai ou não se ferir nesse mundo, mas da pra escolher quem vai feri-lo." Então, preciso ser responsável pelas minhas escolhas e aprender a conviver com a dor caso tenha que lidar com ela eventualmente. Sinto saudade de estar apaixonada e pensando na mesma pessoa o tempo inteiro faz tanto tempo que me provei disso que nem sei como é que sentir isso de novo, eu acho.

Olho pra janela lá fora, penso e sei que o mundo é imenso e posso não me apaixonar imediatamente por algo ou alguém, mas me apaixonei por mim mesma em 2017 e em 2018 pelas partes mais difíceis, sombrias e que procuro esconder das pessoas na maior parte do tempo. Me abri para novas pessoas, deixei o passado onde ele não deveria ter saído, cai de paraquedas numa situação completamente inusitada onde estou sendo 100% eu mesma e adorando cada segundo. É bom estar leve, me sentir feliz e a vontade para fazer piadas sem garça, sorrir de filmes bobos e conversar sobre qualquer coisa.

Embarcar nessa nova situação me fez ter certeza que posso ter um descanso de novo e repousar no coração de alguém, fazer dele meu recanto. Viajar de corpo inteiro me fez conhecer o que é ser no singular e querer o plural. E provavelmente foi o que me deu vontade de me apaixonar de novo e achar um lar pro acaso do meu coração.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Digitando por Nina Fernandes | Playlist


No último dia 11, a Nina Fernandes lançou seu novo EP que se chama digitando que conta com a parceira com a banda Outroeu na faixa Arroz com feijão. O disco conta com seis faixas sendo elas Alice, Arroz com feijão, Beijo, Casa, Ninar e Tempo.  Duas composições tinham sido lançadas antes que forma beijo e casa onde deu pra sentir um pouco mais da pegada do ep antes que fosse lançado.

A voz da Nina é bem suave e característica dela. Cantando parece que está ninando seu ouvinte com a suavidade dos tons e notas musicais. A faixa ninar é literalmente perfeita para ouvir antes de dormir pela sua sonoridade lenta e gostosa. Em 2018 a cantora ganhou dois prêmios internacionais com seu clipe Cruel que teve direção das irmãs Fridman que possui uma belíssima fotografia e composição cenográfica impecável, a canção também fez parte da trilha sonora de Tempo de Amar. 


Provavelmente ela será um das novas revelações da MPB nos próximos anos com sua voz angelical e composições singulares.