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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Todas as razões para assistir depois de um término (contém spoiler?) | Manteiga de cinema


Imagem: Adorocinema

Bom, se você está procurando um filme onde vai encontrar aquela sensação de filmes românticos onde o casal fica juntos e tem seu final de felizes para sempre, não é esse.


Antonio é aquele cara que para ele sempre está tudo “ok” e não liga muito de se mover para mudar, mas quando Sofia, que era sua namorada, resolve terminar o relacionamento, ele se vê na posição de que nem tudo está “ok” e que admitir para si mesmo é complicado, mas quem nunca depois de um relacionamento ficou se perguntando quem foi que errou? Dificilmente se consegue admitir os próprios erros, mas a questão é todo esse processo de admitir para si mesmo que sair da zona de conforto vai doer demais e vai ser necessário colocar a cara a tapa. 


Imagem: quinquilharia


O roteiro e a direção foram feitas por Pedro Coutinho, e eu gosto de ver produções como essa, sensíveis, produzidas por homens, porque quebra aquele estereótipo que eles não têm sensibilidade. Todas as razões para esquecer é um filme brasileiro e é um p*ta filme, porque depois que terminei fiquei um tempo respirando fundo e absorvendo tudo aquilo que assisti. 


A sensação de ver esse filme é parecido quando você toma uma bebida bem gelada em um dia quente e depois fica sentindo ela hidratar o seu organismo. A história foi construída em cima de um término de relacionamento e mostra todas as etapas que uma pessoa passa de uma forma bem leve e ao mesmo tempo te coloca para refletir sobre muitas coisas.


O filme se encontra disponível no catálogo da netflix até a data desse post.
As razões para se ver depois de um relacionamento é que nem todo final feliz é quando o casal fica junto, mas quando você fica bem consigo mesmo.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A impossível faca da memória | Estante

Nome: A  impossível faca da memória.
Autora: Laurie Halse Anderson.
Editora: Valentina.
Páginas: 352 páginas.
Classificação:  

Sinopse: Hayley Kincain passou anos viajando de caminha na companhia de seu pai fugindo das lembranças que os assombravam. De volta a cidade natal de Andy, ela está indo para escola outra vez e na tentativa de ter uma vida normal. Convivendo em meio a depressão de seu pai os dias parecem ser só nebulosos e o cenário psicológico dele parece complicar todos os dias. Enfrentando seus demônio anteriores e convivendo com luto da perda de sua mãe, Hayley se enxerga perdida tentando fugir de suas memórias.

Após a morte de sua mãe, seu pai esteve em um cenário de estresse pós traumático por ser um veterano de guerra, sem tratamento e em negação sobre o seu estado emocional os papéis de pai e filha se invertem e a garota se vê perdida ao tentar ajudá-lo. Após retornar a sua cidade natal, reencontrar sua amiga de infância e apesar de não ter muitas lembranças recorrentes da garota sua amizade parece ocupar um espaço que está faltando na vida de Hayley, junto com ela o jovem Finn se aproxima da garota sendo levemente encantador e divertido deixando aquele cenário sombrio de sua casa e suas manhãs à caminho da escola mais leves e engraçadas.

A Hayley nunca estudou numa escola e quem sempre lhe deu aulas foi seu pai o que foi um impasse na sua adaptação escolar e que é narrada ao longo da história. Como a garota sempre passou sua vida viajando com seu pai que era caminhoneiro fazer planos para o futuro parece deixar tudo confuso, pois o amanhã a assusta mais do que qualquer outra coisa e sua orientadora tentando entender o que se passa com ela parece deixar tudo mais complicado ainda.

Minhas impressões:
Fazia tempo que não lia uma história tão diverta e encantadoramente dolorosa. A narrativa de Halse é repleta de dor e dá uma nova roupagem a tristeza existente em toda a história de Hayley que possui um humor ácido e um tanto quanto peculiar.  É uma personagem feminina extremamente forte, divertida e as cenas do livro são bem equilibradas. O enredo é bem atrativo e discuti muito sobre afeto, família e responsabilidade emocional. Tem um romance, mas ele é bem leve e é posto segundo plano, mas tem um destaque interessante o Finn é um personagem muito divertido e em todas as cenas que ele faz parte junto com a Hayley a química entre os dois personagens é inegável e naturalmente construída.

É importante ressaltar que esse livro pode conter gatilhos para depressão, transtorno de bipolaridade e estresse pós traumático. O pai da personagem é veterano de guerra existem várias cenas que podem vir a ser gatilhos ou facilmente impactadas por leitores mais sensíveis por conterem abusos de álcool e drogas. A forma como a história é narrada  pode não ser confortável para algumas pessoas porque a forma como a autora narra é bem específica e particular da sua escrita, os personagens são estruturados de acordo com essa narrativa o que não nos faz criar um laço com eles além do superficial e muito parecido com Fale! que é outro livro da autora em alguns sentidos de criação e estruturação.

No mais é uma boa história, bem construída e que contém clichês de outros livros jovem adulto, mas que não se perde ou se resume apenas neles o que é o diferencial da história e provavelmente o que me fez gostar tanto dela. 


Citações favoritas:

Família NÃO significa apenas uma unidade biológica composta por pessoas que compartilham marcadores genéticos ou vínculos legais, encabeçada por um casal heterossexual. Família é muito mais do que isso. Porque não estamos mais vivendo em 1915, entende?

A diferença entre esquecer uma coisa e não se lembrar dela é tão grande que dá para um caminhão passar entre as duas.

A alma dele ainda está sangrando. Isso é muito mais difícil de curar do que uma perna ferida ou uma concussão cerebral.

Meus pés pareciam enraizados na terra. Havia mais do que dois corpos enterrados ali. Havia pedaços de mim que eu nem sabia que estavam sob o chão.

Diga-lhe que é igualzinha à mãe. E que é forte o bastante para enfrentar o mundo.

Lá na borda, a rotação da Terra tinha diminuído para nos dar o tempo de que precisávamos para reencontrar um ao outro.

Não se pode fugir da dor, garota. Lute com ela e fique mais forte.

Eu fechara a porta para as lembranças porque doíam.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Melhores álbuns/EPs de 2019 | Playlist

Dois mil e dezenove foi um ano muito bom para a música nacional brasileira, já que o cenário tem crescido e consolidado vários nomes novos e resgatado outros que estavam meio fora de foco. Com o surgimento de cantores e bandas novas ampliando o celeiro musical o consumo de música via streaming também cresceu, pois apesar de youtube ser um grande parceiro na democratização do acesso a educação e cultura, ainda é importante para o mercado musical os números online adquiridos através de aplicativos geram dados relevantes a indústria.      

Imagem: Divulgação/Reprodução

Uma das bandas que teve destaque no passado foi, a Lagum, o grupo mineiro lançou sue primeiro álbum intitulado Coisa da geração, um manifesto público sobre os demais problemas da geração como ansiedade, efemeridade e dizer adeus. Com letras inteligentes e um bom humor, eles rodam o Brasil e até fizeram show em Portugal com o sucesso do álbum.


Imagem: Reprodução/Divulgação

A carreira da Manu Gavassi começou quando ela era bem jovem, desde então a cantora tem escrito músicas e emplacado até alguns sucessos, mas de longe ela vive sua melhor fase com seus dois últimos EP's com letras sinceras, arranjos e melodias mais maduros o último lançado CUT BUT (STILL) PSYCHO, trouxe uma Manu que os fãs estavam acostumados no começo da carreira, a sinceridade transpira de suas letras enquanto ela canta sobre os seus sentimento, nova fase a amadurecimento.


Imagem: Divulgação/Reprodução

Uma releitura de canções famosas do Nando Reis, sob novos arranjos e comentários feitos pela dupla num EP. N foi a primeira música que iniciou essa parceria durante a turnê dos namorados feita por Anavitoria junto com Nando. O disco é composto por 11 faixas contando com os comentários feitos na construção do mesmo. Logo, quando foi lançado se tornou um sucesso digital, já que os fãs das cantoras adoraram as novas versões.

Imagem: Divulgação/Reprodução

Com letras repletas de simbolismo e espiritualidade, Rito de passá de MC Tha, veio para quebrar as barreiras entre o sagrado, poético e a ancestralidade.  A mistura da música de terreiro com funk e um pouco de tecnobrega chegou para mostrar ao pop que ele pode se jogar em outro ritmos, ela já passeou por outros ritmos antes desse álbum que a consagrou como artista na cena musical que compões a geração da nova MPB. 

Imagem: Divulgação/Reprodução

O terceiro álbum da banda Zimbra, Verniz, bateu record de streaming logo na primeira semana de lançado. O disco é um trabalho que marca a nova fase da banda com letras que resgatam a essência de O tudo, o nada e o mundo primeiro álbum dos jovens santista e cria uma nova trajetória musical para banda com letras mais maduras e arranjos musicais singulares, pois apesar de beber a fonte do rock nacional a banda não é mercadológica e possui uma singularidade sem igual nas suas canções. 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Seria Bacurau um novo filme de Tarantino? | Manteiga de cinema

Imagem: Divulgação/Reprodução

Não, não vou ficar comparando um ao outro, mas essa foi uma pergunta levantada pelo meu amigo quando o filme terminou. Quem já viu os filmes do Quentin Tarantino sabe a referência de sempre conter muitas cenas de violência, mas essa marca seria só dele? Ficar comparando os diretores ou dizer que Kleber e Juliano seguiram a linha dele, tira totalmente a originalidade dos diretores brasileiros. A construção das narrativas e os temas abordados são totalmente diferentes. A abertura de Bacurau com vários caixões jogados na pista e um corpo exposto no acostamento deixa em evidência que o filme se trata de uma temática violenta, além do mais, possui um indicação para maiores de 16 anos. O filme se passa em um futuro não tão distante em uma cidade do interior de Pernambuco. Logo após a morte de uma figura bem conhecida do local, a população começou a reparar que coisas estranhas aconteceram, como o sumiço da cidade do mapa e a visita de pessoas desconhecidas.


Imagem: Divulgação/Reprodução

Mostrar cidades de interior nordestino na maior parte das vezes parece seguir um padrão: simples com pessoas desinformadas e "bobas". Kleber e Juliano seguem a linha do simples, mas quebram totalmente o estereótipo de inocência das pessoas. Quase toda a população de Bacurau possui celular e usufruem muito das tecnologias, o ensino na escola é bem avançado e tem muito incentivo do povoado. Outra cena que mostra em evidência é quando o prefeito chega na cidade e todos se escondem em forma de protesto pela sua péssima gestão.

 Uma marca também presente no filme é sua fotografia, no começo pode causar uma certa estranheza, mas depois o telespectador que já assistiu filmes antigos de faroeste entende a referência como as cenas são compostas.  Bacurau não trás somente uma história marcante, mas também uma reflexão pesada sobre o presente do nosso país, mesmo que os diretores alegam que não tiveram essa intenção, quem tem um mínimo de consciência não consegue sair do cinema sem ficar refletindo sobre todas as discussões que o filme aborda. 


Imagem: Divulgação/Reprodução

 A história é forte e envolvente, não trás um personagem principal, mas faz com que o telespectador se apaixone por todos os habitantes da cidade, fique vidrado com todos os acontecimentos que surgem, prende a respiração a cada momento de tensão e faz o coração vibrar com todas as conquistas. Bacurau não é somente um filme de violência, além do mais esse é o único ponto que o filme se cruza com os de Tarantino. Bacurau é marcante, um tapa na cara de quem diz que o brasileiro não sabe fazer filme e enaltece o Nordeste que por muitas vezes é colocado como figurante em nosso país. É uma obra original, impactante e um marco histórico para o cinema no Brasil.

domingo, 22 de dezembro de 2019

O tempo para uma ansiosa | Escritos

Imagem: Pinterest
Este texto pode conter gatilhos para ansiosos.*

Leia ouvindo: Mistério - Anavitória

É estranho para mim uma pessoa ansiosa acreditar ou esperar que o tempo resolva tudo. 

Quando minha mãe me dizia que crescer levava tempo e que deveria aproveitar o meu sendo criança, não entendia muito bem o que ela queria dizer. Tem uma música do EP, Anavitória canta para pessoas pequenas, grandes e não pessoas também que particularmente é minha favorita, mistério, é nome da canção e numa das estrofes diz "Quem é que fez o tempo ter lugar lá dentro do relógio? Dá pra poder calcular talvez, o quanto deve demorar" olhando para o passado, pensando em todas as vezes que vovó me disse que devia confiar no tempo que ele era o melhor remédio para tudo. E, assim mesmo sem saber que era exatamente aquilo que precisa ouvir, percebi que minha relação com o tempo e a sensação que ele escapa entre meus dedos vem da minha falta de paciência em respeitar o meu próprio tempo.

Atropelar minhas ações é claramente minha sina nesta vida. Tanto pela falta de paciência comigo mesma como pela minha constante necessidade de estar em movimento. Uma vez uma pessoa me disse que eu era como água, mutável e que escorria pelos dedos. Na hora eu sorri e achei uma comparação engraçada, mas depois de uma sessão de terapia no começo do meu tratamento com ansiedade minha psicóloga disse que teve a mesma sensação assim que conversamos nas primeiras sessões. 

É uma concepção diferente do que estava acostuma ouvir de mim mesma, mas que foi de suma importância naquele momento. Em 2018 entrei numa espiral maluca de descobrir quem eu era achando que sabia, uma parte de mim tinha ficado no meio do caminho, outra tinha se confundido pela ansiedade e as certezas sobre mim viraram uma bola de neve de dúvidas. Provavelmente a fase mais difícil que já vivi nessas transições pessoais.

Reconhecer que não conseguia mais sozinha lidar com aquelas sensações veio depois de uma das minhas crises mais intensas. Foi um mês difícil, não conseguia mais resolver as coisas mais básicas e o que sentia era uma bomba relógio no meu peito prestes a explodir no meu peito. Quando ela explodiu me partiu ao meio e parte de mim acredita que talvez nunca mais eu seja a mesma. E ainda bem por isso, aprendi tanta coisa sobre mim com isso e conheci a minha versão mais forte de mim mesma.  E a que não é tão forte assim, mas que aprender que está tudo bem em sentar e chorar quando tudo parece um bagunça já que as soluções não caem do céu. 

Esse ano foi uma ladeira de autoconhecimento, dolorosa, árdua e muito gostosa também. Várias coisas perderam o sentido no meio do caminho, mas outras tomaram um rumo inesperado, encerraram um ciclo e principalmente me mostraram a pessoa que quero ser ou que estava prestes a me tornar quando ninguém estava olhando.  

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