Escritos: Dear Daddy.


Querido papai, 

Sou uma garotinha normal, uso vestidos cor de rosa e saias com babados. Queria que você soubesse que sou muito grata por ter cuidado de mim desde que estava na barriga da mamãe, amo você por isso e por outras coisas mais.

Queria que soubesse que não gosto quando seus amigos olham pra mim como se eu fosse um pedaço de carne, mesmo sendo pequena. Tenho 16 anos agora, meu cabelo é grande bate na metade das costas, eles  gostam de pôr atrás da orelha e de soltar cantadas babacas. Te contei aquele dia e você me disse que estavam brincando, podia jurar que ontem à tarde enquanto eu dormia no sofá da sala alguém passou a mão em mim, enquanto você viam o jogo no terraço. 

Você não pode me buscar na escola hoje, teve que ir ao hospital. Então aquele seu amigo que se separou da mulher me pegou no colégio, ele passou a mão em várias partes do meu corpo e machucou algumas com sua boa mãos, ameaçou me matar caso eu contasse pra você. Me tranquei no quarto aquele dia, nunca mais fui a mesma. Me olhava no espelho e via os roxos do meu corpo se misturarem com as lágrimas que ainda insistiam em cair.

Conheci um cara legal na faculdade, me apresentou a família e os amigos e disse que eu era a mulher da sua vida. Três anos se passaram, vamos nos casar em uma semana, ele pegou meu celular e viu uma mensagem do cara um dia foi meu melhor amigo. Era só um recado de aniversário, mas ele tomou aquilo como traição. Com uma faca na cozinha, ele fez pequenos cortes em meu corpo todo e me torturo até meu corpo entrar num estado de choque, após sofrer tanta dor, cravou a faca em meu peito e fez tudo escurecer. Era só o meu aniversário, eu só queria ter passado o dia com você, a mamãe e minha irmãzinha. 

Ele dizia me amar, me fez promessas, quando brigávamos ele me batia e dizia que foi o "calor do momento" e deixava passar. Até o dia que ele me calou e também apagou todas as palavras que eu podia ter proferido e que poderiam julga-ló e condena-ló. Me tirou o que mais tinha de precioso, uma família. 
Eu só queria dizer papai, cuide da Ana não deixe que ninguém faça com ela o mesmo.

Ensine-a que nenhum homem pode julga-lá e quem tem o poder de escolha sobre seus atos é apenas ela mesma, que ninguém, nenhum homem pode comandar sua vida. E que a felicidade está nos sorrisos e nos abraços e que não existe isso de "calor do momento", se ele não se controla numa simples briga, é só um passo para achar que tem o direito de maltratá-lá. 


Esse texto foi meramente fictício, mas foi para denunciar o que milhões de mulheres sofrem todos os dias abuso sexual. Vi um vídeo que 1 em cada 3 três mulheres sofrem com isso. Só queria chamar a atenção de vocês para um assunto tão importante como esse, denunciem por favor, não sejam como a Lúcia (personagem que narra o texto, irmã da Ana) e se calem, faça com que seus agressores sejam responsabilizados. 


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