Escritos: 4 x M.

by - sábado, outubro 31, 2015


  Fazia poucas horas que eu estava de pé e o dia já havia começado perfeito: nublado, com muitas nuvens e frio. Adoro dias assim. O melhor estado para fazer campainha á um coração vazio. - Foi assim que fiquei depois de M, o já esquecido por completo.
   
Eram oito e meia da manhã, estava em minha mesa de trabalho e as músicas deixavam meu dia "perfeito" ainda melhor. Só cumprindo meu ritual matinal. Acabou um álbum, coloquei outro para tocar. Sia - 1000 Forms of Fear, dominava o ambiente e, já que ninguém se incomodava, o som entoava em volume máximo. Estava feliz. Muito feliz por sinal, até chegarmos á música oito, Elastic Heart, e tudo em minha volta já não importavam, além das lembranças que há muito fora esquecida. (1). M, faz muito tempo que não se lembrava de você, e agora me sinto mal em escutar essa música. Porque ela faz lembrar-se de nós dois, faz lembrar quando estávamos juntinhos olhando o pôr-do-sol naquela praça á beira mar — mesmo com os olhares  frustrados por nos verem ali, mesmo sem quebrar a cena clichê de filme — e escolhemos essa canção, essa canção, para falar por nós. Mas ela acabou ditando o que estava por vir a mim, apenas a mim. Tudo por causa de você, M. Estou sentindo-me mal. Mesmo com os olhos cheios de lágrimas, tentei fazer o que fiz desde o dia em que teu gume varou meu peito, e de surpresa atingiu o que nos mantinha unidos. “Ele agora é roxo, e não vermelho.

Mais tarde, no mesmo dia, conversava com um amigo do trabalho sobre as situações difíceis de lidar num relacionamento. Estava mais uma vez dando conselhos para alguém que precisava. Foi numa explicação que acabei chamando o meu amigo de M. (2). Caramba M, não bastava o que passei pela manhã?! Já são duas horas da tarde e não quero que isso se classifique como "estou pensando em você o dia todo", você não merece isso e acho que nesse sentindo concorda comigo. Duas e meia... Era mas ou menos essa hora que saia de casa para te encontrar. Nós nos encontrávamos as três e passávamos o resto do dia juntos. Sempre pegamos o por-do-sol. Pegávamos o por-do-sol. Colados, juntos. Menos no dia em que te vi pela primeira vez — nesse dia fez frio, choveu e foi um “start” para quebrarmos a timidez e nos abrasarmos, já que estava frio. Um dos meus dias perfeitos, sabe?! Agora isso não é mais possível. Você estragou tudo. Tudo. Não quero mais, também. Essa é a verdade. Só não sei por que ainda estou te citando aqui, se isso só me faz chorar.
   
À noite, no curso, saí do carro dos amigos que eu pego carona sempre, porque somos muito amigos e muito unidos, BFF’s, — inclusive foram eles que me consolaram quando M... Bem... — e rumamos em direção ao prédio. Falávamos coisas aleatórias, como sempre fazemos, quando tiro uma brincadeira sobre estar só há muito tempo. Não, eu não falei pelo que já tinha passado durante o dia, foi espontâneo. E como a coisa não pudesse piorar um dos amigos que estavam comigo diz: "Hummmm! Saudades de M?!". (3). A única mulher do trio saiu rapidamente em minha defesa: "De M?! Duvido. Disso eu tenho certeza." Shit! Não queria pensar em M nem naquele dia nem nunca mais, mas estava difícil tudo me fazia lembra-lo. Já faz meses, está universo? O tempo queria me irritar por me fazer ter a sensação de que se passaram horas desda ultima vez em que estive com M. E isso não era legal, até porque isso não era comum, até esse dia. Sempre que estávamos com muitas saudades um do outro, falávamos por Skype. Assim olhávamos um nos olhos do outro, sempre encontrando verdade, admiração, carinho e desejo. Mas tudo isso era solúvel. Foi e nunca mais voltará. Não sei se sinto saudades. Apenas tento esquecer. É pior do que tentar pegar fumaça e depois guarda-las.
    
   Três horas de aula depois, após ter perdido minha caneta para outro colega de turma, fui buscar outra com minha amiga, a mesma defensora. Ela procura no estojo e diz: "Só tem preta M. M não..." (4). Destino pare. Eu já não aguento mais. Minha real vontade durante o dia era apenas se isolar do mundo e chorar. Porque sou desses. Eu choro, e choro muito, mesmo que seja por quem não merece uma gota. Mesmo que seja por M. Quer que eu assuma que sinto a falta de M. Não, não sinto. Mas sinto uma dor dentro de mim por M ter pisado na bola comigo. Por ter destruído algo que rumava para o amor, pelo menos da minha parte. E vi tudo isso se espalhar pela atmosfera, apenas vi.

    Caramba! Não aguento mais. M, culpar-te parece até não ser justo. Não tenho outra forma de selar o que sinto. Cheguei a me culpar por um dos fatos que já aconteceu. Você me disse “eu te amo” e eu queria tempo, porque amor não é instantâneo. Tive medo de te perder depois, mas ainda continuamos, e bem. Mas não por muito tempo. Você se foi e eu sei que não fiz errado, porque joguei limpo com você, seguindo os passos contrários as suas atitudes.  Já não bastam os choros escutando a Sia?! Às vezes desejava que a Sia não existisse, só assim a música que um dia foi nossa, e que ainda me faz lembrar você, não existiria — maldita hora em que você pegou o seu iPhone e a escolhemos. Mas pensando bem, se não fosse ela seria outra cantora, ou quem sabe um cantor, banda. Isso não mudaria. Acho que ela só esfrega na minha cara o que não quero escutar depôs de você, M. Depois de nós. Houve mesmo um nós?  Acho que por isso me incomoda tanto. Lembrar-se de você: item N1º das coisa que evito.  Quatro vezes em um dia... 4 vezes M? Só pode ser castigo.


"And another one bites the dust
But why can I not conquer love?
And I might've thought that we were one
Wanted to fight this war without weapons
And I wanted it, I wanted it bad
But there were so many red flags
Now another one bites the dust
And let's be clear, I trust no one"
Sia - Elastic Heart

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